O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, acredita que o ano de 2024 deve continuar muito promissor para o mercado imobiliário, mesmo com estabilidade da taxa de juros — Selic —, atualmente a 10,50% ao ano.
"A gente está vivendo o melhor ano dos últimos oito anos. A gente vê as pessoas procurando os imóveis, acessando os estandes, os corretores (de imóveis) vindo até nós", detalhou.
Além disso, Patriolino vê a estabilidade da Selic como momentânea, com uma tendência de cortes no curto e médio prazo, o que impactaria o segmento imobiliário, tendo em vista que, se os juros caem, os financiamentos se tornam mais baratos.
"Como agora a economia está se estabilizando e a gente tem sinais de daqui a um ano a taxa de juros ficar abaixo de dois dígitos, as pessoas estão começando a voltar a procurar imóveis", detalhou o presidente do Sinduscon-CE.
De acordo com o especialista, a classe média passou um bom tempo esperando a economia brasileira melhorar, e o momento atual indica uma perspectiva de permanência no mercado de trabalho. Isso deverá ser ainda mais positivo para o setor.
"As pessoas, para financiar um imóvel, contraem dívidas de 25 a 30 anos. Então, elas têm que ter estabilidade tanto no emprego, como na empresa para poder assumir este compromisso", disse.
A visão positiva é compartilhada pelo economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Coimbra, o qual citou que o mercado imobiliário do Ceará vem tendo — e deverá continuar com — um bom crescimento ao longo de 2024.
"Essa perspectiva de crescimento está relacionada com a melhoria do crédito de modo geral, uma certa redução dos juros, mas também com os programas (habitacionais): o novo Minha Casa, Minha Vida e a entrada do Moradia Ceará", citou Ricardo.
O docente atribuiu, ainda, o impulso do segmento ao lançamento de novos projetos e unidades, os quais geram um "leque maior de oportunidades de acesso e de foco, talvez, naquilo que os consumidores desejam nesse momento".
O maior ritmo de crescimento da economia cearense e a expectativa de melhoria na taxa de desemprego foram também mencionados como impulsos positivos para estimular o cenário a nível local, segundo Ricardo, que também não descarta um bom desempenho nacional.
"Como o estado do Ceará tem um programa adicional, é provável que a gente continue performando melhor do que a nível nacional, porque é um incentivo a mais para o segmento que você tem no Estado, em relação aos outros estados que não têm. É uma tendência, mas o que a gente tem que avaliar é se isso efetivamente vai ocorrer no futuro", esclareceu. (Ana Luiza Serrão)