A situação de escassez de qualificação profissional também atinge as novas tecnologias, afirma Delano Gadelha, presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro Ceará). Além da falta de profissionais com as habilidades necessárias, os desafios incluem a rápida evolução tecnológica, que exige uma constante atualização de conhecimentos, e a concorrência das empresas.
"A dificuldade aqui é que a oferta de profissionais e formação de novos profissionais têm uma relação com um tempo de graduação e especialização, portanto, as demandas das empresas, do mercado, são imediatas e a oferta não atenda na mesma proporção", explica Delano.
Segundo ele, as tecnologias mais demandadas pelas empresas incluem inteligência artificial, machine learning, blockchain, Internet das Coisas (IoT), segurança cibernética e computação em nuvem. "Cada vez mais esses profissionais precisarão estar alinhados com essas novas tecnologias, para atender a forte demanda das empresas, não só de tecnologia, mas de diversas áreas, por profissionais especializados com as novas tendências do mercado de tecnologia de informação". Sobre a formação acadêmica, Delano pontua que nem sempre o ritmo é acompanhado em relação às novas tecnologias.
Com o objetivo de reverter a situação, o presidente da associação exemplifica que é necessário investimento em programas de educação continuada, cursos de atualização e parcerias entre empresas e instituições de ensino. "É fundamental que a formação desses profissionais seja baseada em conhecimentos sólidos nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), proporcionando uma base robusta que os prepare para enfrentar desafios tecnológicos emergentes e adaptar-se rapidamente às inovações e novas tendências do mercado de TIC".
Gadelha pontua que competências como pensamento crítico, resolução de problemas, colaboração e comunicação serão cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho em TI. "O profissional que realiza a parte mais operacional na área de TI terá mais dificuldades para se manter no mercado de trabalho, mas o profissional com conhecimentos sólidos nas áreas de STEM, o cara 'que pensa, que cria', esse perdurará por mais tempo no mercado de TI".