A mineradora australiana Fortescue, detentora do maior projeto de hidrogênio verde do Ceará, avaliado em US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões), cobra o Governo Federal para ter conexão de energia no hub de hidrogênio até 2029 e não em 2032.
O movimento acontece após a empresa ter negada a autorização de se ligar à rede elétrica, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Isso impede o fornecimento energético para a planta, por meio de geração de energia renovável, para a posterior produção do combustível.
A justificativa apresentada pelo ONS foi a necessidade de estudos adicionais sobre a expansão da rede de transmissão para atender projetos de grande porte, como o da Fortescue, com previsão de 1,2 gigawatt (GW) de capacidade de eletrólise.
Ao O POVO, a empresa diz que manterá o posicionamento de seguir trabalhando junto ao governo brasileiro para viabilizar o desenvolvimento da indústria.
“Entendemos a necessidade de planejamento da rede elétrica e estamos engajados em buscar soluções para trabalhar em conjunto para garantir que os primeiros grandes projetos possam cumprir seus prazos”, informa em comunicado.
Para a companhia, atualmente, o principal desafio é justamente o de garantir a conexão à rede elétrica no prazo necessário para o projeto avançar.
“Para isso, é fundamental que a expansão da rede de transmissão ocorra no tempo adequado, garantindo segurança e previsibilidade para os investimentos. Além disso, é importante que seja considerado o grau de maturidade dos projetos na aprovação da conexão à rede elétrica, priorizando aqueles que já possuem avanços significativos em licenciamento e engenharia”, pontuou a multinacional.
Sobre o projeto, informa que continua avançando na definição das configurações de engenharia e, em matéria econômica, nas negociações com potenciais off-takers (consumidores/compradores).
“Trabalhamos em estreita colaboração com as autoridades e demais partes envolvidas para viabilizar a implementação do projeto no Estado.”
Em relação ao diálogo com os governos do Ceará e o Federal, frisa que o “governador Elmano de Freitas (PT) está muito engajado” nas articulações para acelerar a expansão da transmissão elétrica.
Também citou aqueles estudos que o Ministério de Minas e Energia encomendou sobre ampliar a rede de transmissão em 4 GW.
“É fundamental que os prazos dessa expansão sejam acelerados para garantir o acesso à rede dos projetos com maior maturidade, como o nosso.”
“Estamos atuando em estreita colaboração com as autoridades para acelerar a expansão do sistema de transmissão elétrica, atualmente prevista para 2032, mas que precisa ser antecipada para 2029 a fim de atender à demanda dos primeiros grandes projetos”, acrescentou a mineradora, em nota.
Ao O POVO, questionado sobre que posicionamentos vão tomar para atuar junto à União, o Governo do Ceará, por meio da Casa Civil, comunicou que “o Estado vai atuar nessa interlocução.”
Atualmente, a multinacional é a única empresa do hub de hidrogênio verde que já possui equipes em operação no Pecém, depois que recebeu, em outubro de 2024, autorização para começar as obras de preparação da unidade de produção de hidrogênio e amônia verdes no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).
A licença de instalação foi dada pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) à época, permitindo o início dos trabalhos.
A planta da companhia terá capacidade para processar 4.725 toneladas por dia de amônia verde, equivalendo a 837 toneladas diárias de hidrogênio verde (H2V), a ser instalada em uma área total de 135 hectares, no município de Caucaia.
Segundo a Fortescue, todas as atividades relacionadas ao projeto seguem em andamento “conforme o planejado.”
Vale lembrar que, em julho de 2024, O POVO divulgou a autorização para a terraplanagem do projeto, com investimento estimado de R$ 100 milhões.
Essa primeira etapa também envolveu atividades de drenagem na área de 121 hectares, localizada na Zona de Processamento para Exportação (ZPE 2 Ceará).
A expectativa é que apenas na fase de construção este empreendimento gere cerca de 2.500 empregos diretos.