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Preço comparado: itens de supermercado variam menos que a inflação em 12 meses
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Economia

Preço comparado: itens de supermercado variam menos que a inflação em 12 meses

| EM FORTALEZA | Já no recorte da primeira quinzena de outubro, produtos vendidos nesse tipo de estabelecimento tiveram alta maior que a do IPCA-15
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PREÇOS nos supermercados tiveram variação média de 4,6%, ante 5,17% no acumulado do IPCA em um ano  (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE PREÇOS nos supermercados tiveram variação média de 4,6%, ante 5,17% no acumulado do IPCA em um ano

Os preços de cerca de 91 produtos comercializados nos supermercados de Fortaleza tiveram uma variação média inferior ao do acumulado em 12 meses no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No período, esses itens tiveram variação média de 4,6%, ante 5,17% no acumulado do IPCA entre outubro de 2024 e setembro de 2025.

Os dados são do projeto Preço Comparado, uma parceria entre O POVO e o Departamento Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon Fortaleza), com análise feita pela Central de Dados O POVO+. Mensalmente, 100 produtos são pesquisados, em 36 supermercados da capital cearense.

Apesar da variação ser menor que a da inflação, ao todo, 62 produtos ficaram mais caros em 12 meses e apenas 29 ficaram mais baratos. Já entre aqueles que tiveram alta no preço médio no período, 46 subiram acima da inflação e 16 subiram abaixo da inflação. Isso significa dizer que 45 produtos tiveram evolução de preços abaixo da inflação considerando os que tiveram altas inferiores a elas e os que tiveram queda.

Já no acumulado do ano (entre janeiro e setembro de 2025), a diferença entre a variação média de 95 produtos encontrados em supermercados de Fortaleza foi ainda maior. Nesse recorte, a inflação dos supermercados na Capital foi de apenas 1,2%, ante 3,64% do acumulado do IPCA neste mesmo espaço de tempo. Mesmo assim, 60 produtos ficaram mais caros e 35 ficaram mais baratos no período. Dos que subiram de preço médio, 49 tiveram alta acima da inflação oficial.

Por outro lado, quando o recorte é a primeira quinzena de outubro, os produtos de supermercado tiveram alta superior ao do chamado IPCA-15, a prévia da inflação do mês. Entre os 97 produtos pesquisados, 54 ficaram mais caros e 43 ficaram mais baratos, sendo que a variação média de preço ficou em 0,47% ante 0,18% do IPCA-15 de outubro. Além disso, dentre os 54 preços que subiram, 52 tiveram alta acima da inflação do período.

Para o economista Érico Veras Marques, a explicação para esses números está em parte no comportamento geral da inflação e em parte no tipo de produto analisado. “Quando você pega um período mais curto, você está pegando uma fotografia daquele momento. Quando você pega um período mais longo, vai incorporar as oscilações de cada mês. Então, eu posso ter um determinado momento em que a inflação nos supermercados de Fortaleza está maior do que o geral, mas, em diversos outros momentos, ela está mais baixa”, observa.

“A inflação de um período maior reflete muito mais do que a análise de um período menor porque você vai fazendo as correções: em algum momento, as coisas subiram um pouco mais, mas depois se acomodaram. E aí você tem que ver os itens que fizeram com que subisse. Porque até quando você pega o IPCA, ele é composto por mais ou menos quatrocentos e poucos itens. Aí entra educação, saúde, transporte — não é só alimentos”, pondera o economista.

Ele lembra ainda que a inflação varia muito a depender do recorte escolhido, chegando até mesmo ao nível individual. “A minha inflação é diferente da sua inflação porque o que eu consumo é diferente do que você consome. Então pode ser que a minha cesta seja muito mais cara do que a sua, ou vice-versa. Então vai variar de consumidor para consumidor, podemos dizer assim”, ressalta Veras, que é também professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“E aí você tem o ‘efeito CEP’. Vamos lá: uma coisa é eu comprar determinados produtos na periferia de Fortaleza e outra coisa é comprar determinados produtos na zona nobre. E, dentro da própria zona nobre, se você for olhar os preços, eles vão variar de supermercado para supermercado. Então, na realidade, é mais confiável pegar um índice mais amplo do que pegar um mês só”, enfatiza.

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Cesta básica tem queda de 0,7% desde janeiro

A cesta básica dos supermercados de Fortaleza acumula uma queda de 0,7% desde janeiro até a primeira quinzena de outubro, após atingir um pico de 6,8% de alta em julho e ter descido a um patamar de 2,4% de queda em setembro, conforme revelam dados do Procon Fortaleza para o projeto Preço Comparado.

Na análise da Central de Dados O POVO , a partir do Agregador de Preços disponível no site O POVO , em janeiro, o preço médio da cesta básica era de R$ 533,44. No ápice, em julho, chegou a R$ 569,49 e em seu preço médio mais baixo, em setembro, chegou a R$ 520,72. Agora, ela está custando em média, nos supermercados de Fortaleza, R$ 529,59.

A inflação dos itens que compõem a cesta básica sofreu grande variação ao longo do ano. A maior delas ocorreu em abril, quando o preço médio dela teve uma alta de 4,63%. Por outro lado, em setembro, houve a maior deflação, com queda de 5,29%. Na primeira quinzena de outubro, a inflação prévia da cesta básica está em 1,7%. Os dados são analisados tendo como base os produtos dos supermercados de Fortaleza pesquisados pelo Procon, que se encaixam na cesta formulada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

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