O Maciço do Baturité, no Ceará, irá inaugurar em janeiro de 2026 a Rota do Trem — Territórios Empreendedores, um corredor comunitário intermunicipal que conecta Baturité e Guaramiranga.
A estimativa é de que a Rota atraia cerca de 2 mil visitantes por mês, com impacto econômico direto de aproximadamente R$ 500 mil mensais — resultado da circulação turística em restaurantes, cafés, trilhas, centros culturais, feiras criativas e experiências rurais.
O lançamento do corredor comunitário consolida um ciclo de formação empreendedora que, entre 2023 e 2024, envolveu diretamente mais de 300 empreendedores em capacitações, oficinas e consultorias.
A expectativa das entidades envolvidas é que o Trem se consolide como um ecossistema permanente de inovação social, conectando agricultores, artesãos, empreendedores criativos, educadores e gestores públicos em projetos coletivos que ampliem renda e diversifiquem a economia local.
O movimento já apresenta indicadores econômicos concretos como o aumento médio de 20% na renda dos participantes do Projeto Comunidades Empreendedoras e a criação de 10 novos empreendimentos — formais e informais — nas áreas de turismo, gastronomia e artesanato.
O objetivo é reposicionar a serra como polo de inovação social, turismo sustentável e economia criativa.
Estão entre os equipamentos culturais e turísticos integrados à Rota o Museu Comunitário da Comunidade Quilombola da Serra do Evaristo, o Mosteiro dos Jesuítas e o Centro de Referência do Café de Sombra.
Esses espaços buscam conectar visitantes, produtores e iniciativas locais por meio de experiências educativas e culturais.
A iniciativa é fruto de cinco anos de articulação entre o Sebrae Regional Maciço de Baturité, Prefeituras e comunidades locais.
O projeto nasce como um novo modelo de desenvolvimento baseado em identidade, produção local e criatividade comunitária.
A estrada reúne núcleos com perfis distintos e grande riqueza cultural: Putiú, com seu artesanato e produção criativa; Uirapuru, articulando natureza, trilhas e café de sombra; Serra do Evaristo, referência quilombola em saberes ancestrais e empreendedorismo cultural; e Linha da Serra, em Guaramiranga, marcada por forte identidade agroalimentar e experiências rurais.
Estes formam, juntos, um mosaico territorial capaz de ofertar produtos, vivências imersivas e práticas comunitárias que fortalecem a economia de base local.
A escolha do nome também resgata a memória afetiva da região. Trem é sigla para Territórios Empreendedores, mas evoca ainda o traçado original do trem que conectava comunidades do Maciço.
Segundo o prefeito de Baturité, Herberlh Mota, a rota inaugura um território unido e capaz de crescer.
"Estamos investindo em inovação, sustentabilidade e fortalecimento das vocações locais para que cada comunidade gere renda, empreenda com autonomia e projete seu futuro com dignidade”, reforça.
A porta-voz do Sebrae no Maciço, Maria do Carmo, afirma que a Rota traduz o conceito de território empreendedor.
"Comunidades transformando suas vocações culturais, históricas e produtivas em oportunidades reais de negócio, turismo e renda”, completa.
Segundo ela, a Rota consolida uma metodologia que integra formação, identidade territorial e produção criativa como motores de desenvolvimento
“Nosso trabalho tem sido fortalecer essas capacidades locais — capacitando artesãos, agricultores, jovens e lideranças; estimulando a criação de produtos e experiências com identidade; e articulando redes entre prefeituras, associações e iniciativas comunitárias”, diz Carmo.