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Investimento social em 2025 atinge R$ 5,8 bi e bate recorde histórico no Brasil
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Economia

Investimento social em 2025 atinge R$ 5,8 bi e bate recorde histórico no Brasil

|Censo Gife|O novo levantamento mostra que o investimento social privado entrou em uma fase de maior estabilidade e maturidade no País. Ações no Nordeste deram salto
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MAIS de R$ 368 milhões foram destinados 
à agenda de clima e meio ambiente, segundo o Gife (Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS MAIS de R$ 368 milhões foram destinados à agenda de clima e meio ambiente, segundo o Gife

O investimento social privado (ISP) no Brasil atingiu um dos momentos mais expressivos de sua trajetória. Foram mobilizados R$ 5,8 bilhões, um dos maiores volumes já registrados — atrás apenas de 2020, ano excepcional marcado pela pandemia.

Os dados são do Censo do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) 2024-2025, recém-divulgado, e apontam para um cenário de amadurecimento e maior estabilidade do setor.

A contribuição empresarial segue liderando o campo, com R$ 3,2 bilhões. Já os investidores independentes protagonizaram o avanço mais significativo, alcançando R$ 1,1 bilhão, indicando que novos atores estão se consolidando no ecossistema da filantropia brasileira. As iniciativas familiares responderam por R$ 395 milhões.

As fontes de recursos refletem um setor mais diverso e sofisticado: 45% vieram de empresas mantenedoras ou empresas familiares; 28% foram mobilizados por fundos patrimoniais (endowments), cuja expansão se acelera; e 15% (R$ 877 milhões) tiveram origem em incentivos fiscais, percentual estável, mas ainda aquém do potencial previsto pela legislação.

Pela primeira vez, há um equilíbrio maior entre executores e financiadores. Hoje, 40% das organizações adotam um modelo híbrido, combinando execução de projetos próprios com financiamento de iniciativas de terceiros.

Outro ponto de destaque é o crescimento do apoio institucional, recurso essencial para fortalecer a estrutura e a sustentabilidade das organizações da sociedade civil. Entre 2024 e 2025, esse tipo de repasse alcançou R$ 223 milhões, o equivalente a 17% de todo o volume direcionado às OSCs.

Entre as regiões brasileiras, o Nordeste apresentou um salto expressivo na capilaridade das ações apoiadas por organizações associadas ao Gife. A presença territorial passou de 39% para 57%, um crescimento de 18 pontos percentuais. Embora 85% das sedes das organizações ainda estejam concentradas no Sudeste, o movimento de expansão em direção ao Nordeste sugere um esforço do setor em equilibrar a distribuição territorial de seus investimentos.

O combate ao racismo e às desigualdades raciais e étnicas recebeu R$ 116 milhões, enquanto ações voltadas à igualdade de gênero e aos direitos LGBTQIA mobilizaram R$ 89 milhões. São valores que, embora ainda distantes da demanda real, representam um avanço frente ao histórico de subfinanciamento desses temas. Paralelamente, 82% das empresas mantenedoras afirmam que suas agendas ESG estão ampliando diretamente o volume de recursos investidos.

A pauta climática também entrou definitivamente no radar do ISP. Pela primeira vez, o Censo dedicou um bloco exclusivo ao tema e registrou R$ 368 milhões destinados à agenda de clima e meio ambiente. Foram cerca de 6% do total investido, o dobro da média internacional estimada pela Climate Works (3%).

Ao todo, 63 organizações declararam atuação na área, com foco em educação ambiental e mobilização comunitária. Entre os perfis de investidores, os independentes são os que proporcionalmente mais destinam recursos à agenda climática.

Edição

O Censo Gife 2024-2025 aprofunda temas que têm ganhado centralidade no debate público e no setor, como diversidade, equidade e inclusão (DEI), volume de recursos mobilizados e a nova seção sobre mudanças climáticas e meio ambiente

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