Para a médica-veterinária Estéfanni Pinheiro, especialista em Animais Silvestres e Exóticos, o estigma de "animal sujo" não descreve adequadamente a espécie.
Ela explica que a condição sanitária dos pombos está diretamente ligada ao ambiente em que vivem. "Se é um animal que se adaptou a comer lixo, ele passa a ter contato com diversos patógenos e pode acabar difundindo essas doenças", afirma.
O risco aumenta em grandes aglomerações de pombos sem controle sanitário, comuns em praças e monumentos. "As fezes acabam ressecando e, com o vento, partículas se espalham. Se for um animal contaminado, a pessoa pode inalar um patógeno que veio dessas fezes", detalha a médica-veterinária.
Crianças, idosos, indivíduos em situação de rua e pessoas imunossuprimidas são os mais vulneráveis, especialmente no caso da criptococose, conhecida como "doença do pombo".
Conforme o Ministério da Saúde, a criptococose é a principal causa de meningite oportunista relacionada ao HIV no Brasil. Já globalmente, o fungo Cryptococcus é responsável por 13% das mortes relacionadas a aids.
Questionada sobre registros de doenças associadas ao contato com pombos em Fortaleza, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) declarou que a criptococose não é uma doença de notificação compulsória. Ou seja, os serviços de saúde não são obrigados a comunicar cada caso às autoridades sanitária
Segundo informações da SMS não há registro no canal 156 de denúncias relacionadas à presença de pombos.
A pasta ainda declarou que, conforme a Lei de Crimes Ambientais, intervenções diretas em pombos domésticos, como remoção de ninhos e eliminação das aves, configura-se crime ambiental e de maus-tratos.
"A orientação é que não se ofereça alimento a pombos urbanos, esses animais vão buscar abrigos e fontes de comida que não envolvam o convívio direto com humanos", aponta a médica-veterinária Estéfanni Pinheiro.