O petróleo fechou em alta ontem à medida em que as tensões geopolíticas seguem gerando apreensões depois da ofensiva ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em território venezuelano resultar na deposição e captura do ditador Nicolás Maduro.
Investidores também digeriram a decisão do domingo da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep ) de manter a pausa nos incrementos de produção em janeiro, fevereiro e março.
Ontem, o petróleo WTI para fevereiro negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) avançou 1,74% (US$ 1,00), a US$ 58,32 o barril. Já o Brent para março, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 1,66% (US$ 1,01), a US$ 61,76 o barril.
Os contratos futuros da commodity chegaram a operar em baixa na madrugada em meio a preocupações sobre excesso de oferta, mas ganharam fôlego ao longo do dia com o risco geopolítico apresentado na Venezuela.
Maduro fez nesta segunda sua primeira aparição em um tribunal federal dos EUA após a operação que levou à sua detenção. Durante a audiência, ele e sua esposa se declararam inocentes.
A Capital Economics acredita que as implicações econômicas e financeiras de curto prazo são mínimas após o ataque a Caracas.
Apesar do desejo óbvio de Trump de que as empresas petrolíferas dos EUA aumentem suas atividades na Venezuela, os preços baixos do petróleo e a incerteza política frustrarão os esforços para explorar seu vasto potencial energético, acrescenta a consultoria.
Um aumento significativo na produção de óleo venezuelano provavelmente levará "anos, não meses", dadas as limitações técnicas e a ausência de um clima de investimento estável, adicionam os analistas do Citi Research.
Na avaliação de Bruno Iughetti, especialista nos setores de Energia e Combustíveis, deve haver um reordenamento da produção e das demandas mundiais porque a Venezuela tem a maior reserva do mundo, com 17% das reservas mundiais.
Neste movimento americano, a volta de gigantes do setor de petróleo, como a Exxon, Chevron e Shell, deve trazer nova dinâmica ao mercado venezuelano, antes concentrado no fornecimento para países como China, Índia e Cuba, por exemplo.
Resultando, inclusive, na redução do preço da commodity ao nível internacional e proporcionando uma melhor produtividade na extração venezuelana. Ou seja, o mercado internacional deve ser afetado com variação no preço do barril de petróleo. Para Bruno, uma redução de preço deve ocorrer, não havendo grande interferência do cartel de países produtores, liderado pela Arábia Saudita.
Já Igor Lucena, economista e PhD em Relações Internacionais, entende que a demonstração de força norte-americana deve inibir reações mais extremas das lideranças venezuelanas restantes. Para ele, no médio prazo, o país deve caminhar para uma transição de poder para algo alinhado aos EUA, com liberalização dos negócios e saída da condição de pobreza extrema da população em relação à média dos demais países da América Latina.
"Sozinha, a Venezuela não estava indo a lugar nenhum. Agora, há uma oportunidade de investimentos americanos que vão proporcionar com que o país experimente um crescimento de dois dígitos a partir da exploração de petróleo - algo parecido com o que acontece com a Guiana, só que de forma escalonada". (Agência Estado e Samuel Pimentel)