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Ibovespa sobe 0,87%; dólar oscila, mas fecha em queda
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Economia

Ibovespa sobe 0,87%; dólar oscila, mas fecha em queda

A movimentação na Venezuela é vista como tendo pouquíssima influência no mercado acionário brasileiro, sendo muito mais relevante em relação à geopolítica do petróleo
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O impacto de qualquer notícia venezuelana no mercado é avaliado como limitado por especialistas, apesar da incerteza sobre como a transição política se desenrola (Foto: Leandro Martins)
Foto: Leandro Martins O impacto de qualquer notícia venezuelana no mercado é avaliado como limitado por especialistas, apesar da incerteza sobre como a transição política se desenrola

Embora os mercados financeiros globais tenham começado agitados com a repercussão da invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e a prisão do presidente Nicolás Maduro, no sábado, de forma geral, as praças da América Latina absorveram bem o noticiário geopolítico, sem registrar quedas significativas. O Ibovespa no Brasil, por exemplo, fechou com alta de 0,87%, aos 161.940 pontos.

O dólar, após tocar R$ 5,45 pela manhã, perdeu força à tarde e encerrou em queda moderada, na casa de R$ 5,40. O real parece ter se beneficiado do enfraquecimento global da moeda americana e da melhora do apetite ao risco no exterior, com alta firme das bolsas em Nova York, ao longo da segunda etapa de negócios.

Além de dados fracos do setor industrial nos Estados Unidos, divulgados no início da tarde, ganhou força entre analistas a leitura de que a captura de Nicolás Maduro poderá provocar um efeito deflacionário sobre a economia global, abrindo espaço para uma rodada de alívio monetário.

Especaialistas avaliam como limitado o impacto de qualquer notícia venezuelana no mercado, apesar da incerteza sobre como a transição política se desenrolará. A movimentação geopolítica na Venezuela é vista como tendo pouquíssima influência no mercado acionário brasileiro, sendo muito mais relevante em relação à geopolítica do petróleo

Prova é que, mesmo com a contribuição negativa de Petrobras (ON -1,67%, PN -1,66%) na contramão do avanço do petróleo em Londres e Nova York, o Ibovespa ficou perto de retomar em fechamento a linha dos 162 mil pontos nesta abertura de semana, em alta de 0,83%, aos 161.869,76 pontos. No agregado de duas sessões, sobe 0,46% neste início de 2026. O giro financeiro desta segunda-feira foi a R$ 22,5 bilhões.

Na sessão, o desempenho da Petrobras foi mitigado pelo avanço de Vale ON, a principal ação do Ibovespa, em avanço de 1,02% no fechamento. O dia também foi positivo para o setor financeiro, com destaque para Bradesco (ON +3,39%; PN +4,23%, máxima do dia no fechamento) e Itaú (PN +1,46%), entre as maiores instituições. Na ponta ganhadora do Ibovespa, as construtoras MRV (+6,09%), Cyrela (+5,47%) e Direcional (+5,14%). No lado oposto, C&A (-15,71%), Brava (-5,76%) e Lojas Renner (-2,99%).

"Petrobras ficou para trás, mesmo em dia de alta para o petróleo. A percepção é de que, se houver reabertura da Venezuela para as empresas americanas, haverá mais competição regional, e oferta, o que afeta o setor no Brasil", diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

"Embora ainda haja muita incerteza sobre como a transição para fora do chavismo se desenrolará, acreditamos que o impacto no mercado de quaisquer notícias venezuelanas permanecerá limitado", avalia Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury, destacando, na agenda da semana, a divulgação de dados oficiais sobre o mercado de trabalho americano, na sexta-feira, referente a dezembro.

"Será crucial, já que muitas dúvidas foram levantadas sobre a qualidade do relatório anterior devido à paralisação do governo federal dos EUA, entre outubro e novembro", acrescenta.

Títulos de dívida em dólar da Venezuela e da estatal PDVSA. dispararam em 40%

Na América Latina, o grande destaque do dia, contudo, vem do mercado de bonds: títulos de dívida em dólar da Venezuela e da estatal PDVSA. dispararam em 40% com a expectativa de uma possível reabertura da econômica e revitalização da indústria de petróleo do país.

Mas de uma forma geral, no Mundo, a Capital Economics acredita que as implicações econômicas e financeiras de curto prazo são mínimas após o ataque a Caracas. Apesar do desejo óbvio de Trump de que as empresas petrolíferas dos Estados Unidos aumentem suas atividades na Venezuela, os preços baixos do petróleo e a incerteza política frustraram os esforços para explorar seu vasto potencial energético, acrescenta a consultoria.

Um aumento significativo na produção de óleo venezuelano provavelmente levará "anos, não meses", dadas as limitações técnicas e a ausência de um clima de investimento estável, adicionam os analistas do Citi Research.

No horizonte mais amplo, "a transição da Venezuela pode vir a ser como um microcosmo de um realinhamento global mais amplo, ao qual os investidores talvez precisem se adaptar ativamente", apontam em nota os analistas Alex Veroude, Lucas Klein e Seth Meyer, da Janus Henderson.

É improvável que a mudança política na Venezuela provoque uma reprecificação mais ampla do mercado no curto prazo", acrescentam. No entanto, apontam os analistas, as implicações para o fornecimento de energia, bem como os efeitos para os títulos soberanos de emergentes, assim como o prosseguimento de tensões geopolíticas e da diversificação global da cadeia de suprimentos, exigem atenção contínua dos investidores.

"A movimentação geopolítica na Venezuela impacta pouquíssimo o mercado acionário brasileiro. É muito mais movimentação geopolítica em relação ao petróleo", resume Pedro Moreira, sócio da One Investimentos. (Com Agência Estado)

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