Logo O POVO+
Alta de mais de 40% no IPTU gera queixas e Prefeitura fala em correção de cadastros
Comentar
Economia

Alta de mais de 40% no IPTU gera queixas e Prefeitura fala em correção de cadastros

O POVO apurou haver contribuintes de edifício no bairro Meireles que tiveram alta superior a 40% no valor a pagar e vão recorrer do cálculo realizado. A prefeitura de Fortaleza informa que, em alguns casos, houve atualização cadastral
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Comentar
Bairros considerados de luxo tiveram avaliação do valor do IPTU acima da inflação (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Bairros considerados de luxo tiveram avaliação do valor do IPTU acima da inflação

Contribuintes de Fortaleza foram pegos supreendidos com reajustes acima do anunciado pela Prefeitura para o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de 2026. Houve caso de acréscimo de mais de 40% no comparativo de 2025 para 2026. A Secretaria de Finanças (Sefin) informou que, em regra, não houve alteração de alíquota, que varia de 0,6% a 2%, e o aumento do tributo veio corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - Especial (IPCA-e), em 4,41%.

Porém, O POVO apurou haver contribuintes de edifício no bairro Meireles que tiveram alta superior a 40% no valor a pagar. Também uma outra contribuinte, moradora do Bairro Ellery, relatou acréscimo expressivo no valor do tributo. No ano passado, a contribuinte pagou R$ 1.847,14. Neste ano, o valor subiu para R$ 2.361,29.

A Sefin de Fortaleza justifica as ocorrências no IPTU não como um aumento arbitrário, mas sim como um resultado direto da atualização cadastral e da correção de irregularidades em conformidade com a realidade imobiliária.

Além da atualização anual pela inflação (pelo IPCA-e), os saltos significativos no IPTU são justificados pela correção da disparidade entre o registro fiscal e a realidade construtiva do imóvel.

“A atualização cadastral é, por princípio, uma rotina da administração municipal”, argumenta Paulo Martins, coordenador de tributos e arrecadação da Sefin Fortaleza.

A queixa de alguns moradores, que não quiseram se identificar, é que não houve nenhuma reforma no apartamento, nem no condomínio, tampouco no entorno do empreendimento, que justificasse o avanço do valor. Em um dos boletos é possível observar que o preço a pagar passou de R$ 3.593,68 para R$ 5.095,25, caracterizando variação de R$ 1.501,57, o equivalente a 41,78%.

Vale lembrar que, no ano passado, a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Sefin, reavaliou o IPTU dos anos de 2024 e 2025 de 1.049 imóveis. O movimento foi concentrado em empreendimentos de alto e altíssimo padrão (luxo, conforme legislação vigente).

Com isso, contribuintes chegaram a dever até o triplo do que pensavam que iam pagar, com a cobrança do valor de 2025 mais o retroativo de 2024, e se queixaram da falta de transparência do Executivo municipal.

Os empreendimentos revisados concentravam-se nos bairros Aldeota, Meireles, Guararapes e Cocó. O não pagamento acarretaria a entrada na dívida ativa do Município. À época, em julho de 2025, o número de unidades representava aproximadamente 0,1% do total de imóveis da Capital.

De acordo com os técnicos da Sefin, a principal causa dos aumentos significativos reside em ações temáticas focadas na correção do cadastro de edifícios de alto valor, concentrados em corredores como Aldeota, Meireles e Guararapes. Essas ações impactaram cerca de mil imóveis em lançamentos recentes, segundo informa Fernanda Farias, que trabalha na Sefin com cadastro de imóveis.

“A divergência foi identificada quando se verificou que a realidade dos imóveis não correspondia mais ao registro original (como o Habite-se)”, explica Paulo Martins. Segundo ele, os critérios de avaliação do valor venal consideram não apenas a localização, mas também os padrões construtivos dos imóveis e fatores externos.

“Melhorias no acabamento que denotam um padrão mais luxuoso geram valorização. Exemplos incluem a substituição de piso de cerâmica por mármore ou granito, ou a utilização de esquadrias e pinturas mais nobres. A inclusão desses ‘novos atributos’ no cadastro aumenta a valorização do imóvel”, aponta Paulo Mendes.

De acordo com Heloíza Beatriz Muniz, gerente de tributos mobiliários da Sefin, a detecção de um padrão de luxo superior pode levar à mudança do padrão cadastral (por exemplo, de luxo para luxo 2). “Essa alteração pode ter um efeito no IPTU, pois o aumento do valor venal pode levar à aplicação de uma alíquota maior, como a mudança de 0,8% para 1,4%”, afirma.

Tecnologia e o dever de ofício

Outra justificativa para o aumento fora do padrão para alguns contribuintes é a correção de áreas edificadas não comunicadas. De acordo com os técnicos, a Sefin tem o dever de ofício de atualizar o cadastro quando o contribuinte não informa a construção de uma edificação em um terreno, corrigindo o que está irregular.

Segundo Paulo Martins, para auxiliar essa correção, a Prefeitura contratou um aerolevantamento em 2023, que fotografou toda a cidade e detectou acréscimos de áreas edificadas que não estavam cadastradas. “A Prefeitura de Fortaleza contratou em 2023 um aerolevantamento e toda a cidade foi fotografada. E a partir dessas imagens a gente detectou diferenças de área edificada, acréscimos de áreas que não estavam cadastradas”, aponta.

“É importante notar que as imagens capturadas neste voo de 2023 serão utilizadas para cobranças apenas a partir do exercício de 2026”, pontua o titular da Sefin Fortaleza, Márcio Cardeal Queiroz da Silva.

Segundo ele, para identificar atributos que não são visíveis pelo levantamento aéreo (que só permite a visão de cima e lateral), a prefeitura utiliza fiscalização e inteligência. A "inteligência" pode incluir o acesso a sites de anúncios de imóveis, onde fotos e descrições detalham acabamentos de luxo, servindo como indício para a atualização do cadastro. (Colaboraram Beatriz Cavalcante e Adriano Queiroz)

Mais notícias de Economia

Saiba como solicitar revisão do cálculo do IPTU 2026

É possível contestar cálculos do imposto se houver comprovação da discrepância. Para isso, o cidadão deve acessar o Portal de Serviços do Contribuinte, e-Sefin (https://esefin.sefin.fortaleza.ce.gov.br/esefin/login.seam?cid=44547), e solicitar processo administrativo para revisão do montante cobrado.

Vale lembrar que o pedido a revisão do lançamento do IPTU tem prazo e pode ser feita até o dia 10 de março. Na plataforma, é possível adentrar por meio do gov.br ou será necessário clicar em solicitar cadastro, e depois validar o CPF.

Para validar isso, o site direciona para perguntas pessoais que devem ser respondidas, como qual o segundo nome da mãe, o mês de aniversário e o seu segundo nome.

O próximo passo é confirmar o número do documento do titular. Por último, a plataforma solicita o e-mail do contribuinte, para onde é encaminhado o pedido de Formulário de Cadastro no e-Sefin.

Depois, é preciso consultar o e-mail para obter o link e realizar o cadastro. Ao clicar para ser direcionado ao formulário, parte-se para o preenchimento de todos os dados pessoais e uma lista de documentos, como comprovante de endereço, é exigida.

É possível também pegar o documento para imprimir e fazer o preenchimento manualmente, solicitando presencialmente a revisão do cálculo, no endereço rua General Bezerril, 755, Centro de Fortaleza, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

O que você achou desse conteúdo?