O Grupo Samaria, do empresário cearense Cristiano Maia, está aproveitando o aumento da demanda por ração animal no mercado e ampliou o leque de clientes com demanda vinda de outros países.
Ao O POVO, o empresário destaca que a Samaria Rações está exportando para novos mercados, o do Chile e da Nova Zelândia.
A operação de rações funciona em duas frentes, no Ceará e em Pernambuco. A fábrica de Fortaleza recebeu investimento recente para ampliação, de 8 mil toneladas por mês (Ton/mês) para 16 mil Ton/mês.
O aporte, de R$ 15 milhões, permite aumentar a capacidade de atendimento no mercado nacional e internacional, com produtos que vão desde rações para pets, como cães e gatos, até para criações de bovinos, equinos e peixes (tilápia), com destaque especial para os produtos para camarão.
Principal fornecedor de rações para a carcinicultura brasileira, a Samaria Rações tem conseguido segurar preços, devido à menor pressão inflacionária sobre os custos com insumos, a soja e o trigo.
"O mercado agora está estabilizado, os preços não têm subido, principalmente a soja, que é a principal formulação da ração do camarão. Então temos segurado o preço e estamos enviando ração para o Nordeste todo e, no caso de ração para frangos, exportamos neste ano o primeiro contêiner para a Nova Zelândia", revela.
No caso do mercado chileno, a demanda é por ração de frango para a fase pós-ovo. Para além da abertura de mercados no Exterior, Cristiano destaca que os investimentos na infraestrutura de produção, representam um diferencial competitivo no atual mercado.
Segundo ele, isso permite com que a Samara Rações invista em maior tecnificação dos processos e tenha capacidade de avanço tanto no atendimento do mercado brasileiro como atrair clientes de outros países.
O Grupo Samaria também é reconhecido pelo seu investimento em carcinicultura. Cristiano Maia é o principal produtor nacional e presidente da Camarão BR, entidade que reúne alguns dos mais relevantes empresários do ramo no País.
Sobre a produção neste ano, destaca o franco crescimento - em linha com o aumento da demanda por ração. Segundo os cálculos da Camarão BR, a produção nacional deve crescer em 2025 algo em torno de 15% a 20% e superar a produção média anual, que gira em torno de 150 mil toneladas, para alcançar 170 mil toneladas.
A Samaria possui fazendas de camarão nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte - que são os dois principais estados produtores. Somente o mercado cearense é responsável por 60 mil toneladas por ano, mantendo a liderança nacional na atividade.
Cristiano conta que, do ponto de vista dos empresários, há um esforço de aumento da agregação de valor ao produto, com investimentos em processamento.
"Eu já entrego camarão para todos os estados do País, exceto o Rio Grande do Sul. É um camarão já processado, eviscerado. E os produtores têm acompanhado no que compete a cada um", pontua.
Sobre a competição no mercado nacional com camarões vindos de outros países produtores, como o Equador, diz que os produtores nacionais têm se sobressaído a partir de negociações com restaurantes e agressividade nos preços.
Hoje, quase 80% do consumo de camarão no Brasil é oriundo dos restaurantes, com minoria vindo da venda direta ao comprador residencial. E, de acordo com o presidente da Camarão BR, o foco no mercado nacional tem rendido frutos, tanto é que o produto tem chegado a cidades fora do litoral.
No caso da Samaria, já há acordos de fornecimentos para municípios como Ribeirão Preto e Campinas, além de São Paulo. "Fomos agressivos no mercado interno, baixando preços e indo atrás de praças onde não havia o costume de consumir camarão, como o Centro-Oeste e interior de São Paulo. Temos mostrado aos restaurantes a importância de manter camarão no cardápio".
Com a demanda do mercado brasileiro em franca expansão, acompanhando o avanço da produção, os empresários também aguardam a abertura de novos mercados no Exterior.
Cristiano comenta que atualmente enfrentam obstáculos burocráticos, mas aguardam liberações sanitárias para início de exportações para a China e o Reino Unido. Sobre os Estados Unidos, diz que, por o preço ser parecido com o praticado no Brasil, não há grandes vendas para aquele mercado.
No caso do Reino Unido, uma missão técnica visitou indústrias e fazendas cearenses. Os empresários brasileiros aguardam agora a liberação burocrática. Já em relação ao mercado chinês, uma missão empresarial brasileira participou de uma feira em Macau para apresentar a variedade de camarão brasileira aos chineses e aguarda retorno.