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Com acordo Mercosul-UE, Ceará já busca europeus e quer quebrar barreira a pescados
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Economia

Com acordo Mercosul-UE, Ceará já busca europeus e quer quebrar barreira a pescados

Governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), avaliou positivamente a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia e revela diálogos com Porto de Roterdã
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Exportações cearenses em diversos setores devem ser beneficiadas com assinatura de acordo entre Mercosul e União Europeia, avalia Elmano de Freitas (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Exportações cearenses em diversos setores devem ser beneficiadas com assinatura de acordo entre Mercosul e União Europeia, avalia Elmano de Freitas

A assinatura histórica do maior acordo de livre comércio do mundo, entre os países do Mercosul e da União Europeia, abre uma série de oportunidades para o Ceará. A avaliação é do governador do Estado, Elmano de Freitas (PT), que anunciou com exclusividade ao O POVO os primeiros movimentos da gestão neste sentido.

O governador avalia que setores como o têxtil, de calçados e fruticultura podem ser amplamente beneficiados com o regime especial de relação comercial a partir do acordo entre os blocos.

Outro setor que também tem potencial de crescimento, mas que precisa superar uma barreira sanitária é o de pescados. O chefe do Executivo estadual espera que, com a aproximação e a abertura de diálogos com autoridades europeias, o Brasil consiga superar esse entrave e abrir mais esse mercado.

As primeiras ações práticas dizem respeito à formação de um grupo de trabalho no âmbito do Governo do Estado, que contará com a participação de outras entidades, com destaque para a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Ainda conforme o governador, a ideia é avaliar as possibilidades e oportunidades. "Estamos criando um grupo de estudos para fazer a análise dessa perspectiva, fizemos contatos com a Fiec para, juntos, desenvolvermos esse estudo".

ELMANO informou que há um esforço estratégico para ampliar diversidade de mercados(Foto: João Filho Tavares)
Foto: João Filho Tavares ELMANO informou que há um esforço estratégico para ampliar diversidade de mercados

Outro contato que deve ser feito, agora diretamente com os europeus, diz respeito à realização de um evento de apresentação do Ceará naquele continente. O governador quer uma reunião com a Embaixada da União Europeia para que a ideia seja amadurecida.

O que está mais claro e deve ocorrer de forma natural, diz Elmano, é o fortalecimento do laço com o Porto de Roterdã, na Holanda, maior e principal terminal marítimo da Europa.

A empresa mantém joint venture com o Governo do Ceará, no Brasil, no Complexo do Pecém, promovendo desenvolvimento industrial na área de mais de 19 mil hectares, cujo projeto envolve, por exemplo, data centers, como o do TikTok, e a execução do hub de hidrogênio verde (H2V).

"Também entramos em contato com o nosso parceiro Porto de Roterdã para analisarmos como podemos aproveitar a parceria com o Porto do Pecém, em que somos sócios, para vermos possibilidades de avanços na economia cearense com o acordo entre os blocos comerciais", afirma o governador.

Peso do acordo entre Mercosul e União Europeia

Os planos de Elmano são para aproveitar o maior acordo global entre blocos econômicos, cujas economias somam US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

Do ponto de vista do Brasil, o movimento é muito vantajoso, ao permitir que os exportadores brasileiros acessem o equivalente a 36% do comércio internacional, no que antes era de apenas 8%.

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a assinatura do pacto de comércio entre partes, do ponto de vista do País, permitirá que o equivalente a 82,7% das exportações brasileiras para a União Europeia sejam isentas de tarifas a partir do início da vigência.

O acordo prevê a redução de tarifas de importação, que pode se dar imediatamente ou gradualmente - em até 15 anos - a depender do setor.

No entanto, para entrar em vigor, as bases do acordo devem ser ratificadas pelos parlamentos dos países envolvidos. No Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, disse que quer aprovar com celeridade o texto.

A formalização deve beneficiar a entrada de marcas europeias e produtos antes não comercializados ou que antes eram muito caros por conta da tributação, como vinhos, azeites, queijos e lácteos, além de chocolates. Outra perspectiva é a chegada de bens industrializados, como da indústria automobilística e farmacêutica.

Por outro lado, os produtos do agro brasileiro e indústrias como a calçadista devem ganhar espaço no ambiente europeu. (Colaborou Mariana Fernandes)

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FORTALEZA, CE,  BR - 02.12.25  - Exportação de pedras de granito pelo Porto do Pecém para Itália  (Fco Fontenele/O POVO)
FORTALEZA, CE, BR - 02.12.25 - Exportação de pedras de granito pelo Porto do Pecém para Itália (Fco Fontenele/O POVO)

Em 2025, principal parceiro europeu foi a Itália

As exportações cearenses com destino à Europa mantiveram patamar de crescimento no ano de 2025 e alguns parceiros comerciais, como a Itália, sustentaram esse avanço. Mais de US$ 93 milhões foram vendidos aos italianos em um ano.

Conforme os dados do relatório Ceará em Comex, da Fiec, a relação com a Itália cresceu 123,1%, impulsionado principalmente pelas exportações de rochas e minerais (US$ 55 milhões e crescimento de 110% em um ano), assim como a entrada de produtos siderúrgicos do Estado (US$ 25,8 milhões).

O segundo principal parceiro cearense na Europa são os Países Baixos (Holanda), que comprou US$ 90,4 milhões em produtos, uma evolução de 41,6% na relação comercial.

Hub logístico europeu, os holandeses receberam principalmente frutas frescas (US$ 59,7 milhões), num avanço de 33% na demanda em comparação com o registrado em 2024. Depois vieram as preparações hortícolas (US$ 11,7 milhões), ferro e aço (US$ 6,5 milhões) e ceras vegetais (US$ 4,3 milhões), numa diversidade que reflete a centralidade do país na redistribuição de produtos agroalimentares.

Outro importante comércio foi o da França, o terceiro que mais comprou produtos locais em 2025, com elevação de 30,7% no período, alcançando US$ 74,7 milhões em negócios.

O produto mais demandado pelos franceses são as cargas de ferro e aço (US$ 43,4 milhões), além de calçados, combustíveis minerais e preparações hortícolas.

Segundo o relatório da Fiec, no acumulado de janeiro a dezembro de 2025, as exportações cearenses mantiveram elevada concentração territorial, com os dez principais municípios respondendo por 87,6% do valor total exportado pelo Estado.

"Esse padrão reflete a centralidade do complexo portuário e industrial de São Gonçalo do Amarante, a presença de polos agroindustriais consolidados e a formação de núcleos industriais especializados, sobretudo nos segmentos de siderurgia, fruticultura e transformação industrial".

Somente São Gonçalo do Amarante, sustentada pelo Complexo do Pecém, foi responsável por 52,8% das exportações, com US$ 1,21 bilhão e avanço de 106% frente a 2024. O setor de siderurgia puxou o avanço tendo como principais destinos os Estados Unidos (US$ 791,3 milhões), o México (US$ 148,1 milhões) e a França (US$ 43,4 milhões).

Depois aparecem Icapuí somando US$ 109,1 milhões em exportações, principalmente da fruticultura, com destino aos Países Baixos (US$ 52,5 milhões) e Espanha (US$ 10,8 milhões).

E o Eusébio registrou US$ 57,3 milhões exportados, com participação sobretudo das ceras de carnaúba. Os mercados compradores de destaque foram China (US$ 16,1 milhões), Alemanha (US$ 7,7 milhões) e Estados Unidos (US$ 5,9 milhões).

Entre os setores, após a siderurgia, o segundo em importância é o de calçados, que reduziu participação em 5,2% no ano passado. No entanto, enquanto houve retração na relação com os principais parceiros, Argentina (-33%) e Estados Unidos (-7%), viu crescer a relação com a França.

Lista

Os 10 países da União Europeia cuja exportação cearense se destacou foram: Itália, Países Baixos (Holanda), França, Polônia, Alemanha, Espanha, Bélgica, Portugal, Dinamarca
e Letônia

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