As duas primeiras operações-teste da Ferrovia Transnordestina realizadas entre Eliseu Martins (PI) e Iguatu (CE) já começam a desenhar o modelo comercial a ser desenvolvido até 2028.
Segundo publicação do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), as relações entre o setor produtivo e a Transnordestina Logística S/A (TLSA) começam a se estreitar.
A operadora da ferrovia, há mais de um ano vem realizando contato com empresas interessadas em conhecer o transporte de cargas e viu crescer a procura pelo serviço desde as primeiras viagens experimentais entre o Piauí e o Ceará, passando por Pernambuco.
O diretor e sócio da Tijuca Alimentos, Marden Alencar Vasconcelos, disse que “quando a ferrovia estiver totalmente finalizada, com a estrutura de carregamento e descarregamento concluída, a gente enxerga, sim, uma redução real de custos. É praticamente um sonho — um sonho que sempre almejamos e que agora começa a se realizar”. Ele acrescenta que apesar de ainda não se ter o custo final definido, “a expectativa é que ele seja bem menor do que o rodoviário”.
No último dia 15, em entrevista à Rádio O POVO CBN, o diretor Comercial e de Terminais da TLSA, Alex Trevizan, anunciou que a ferrovia deve realizar sua terceira operação-teste ainda em janeiro, muito provavelmente com o transporte de gipsita e gesso agrícola, ou seja, que vai transportar uma carga mineral após duas operações com cargas vegetais, respectivamente, milho e sorgo.
“Estamos nos pequenos ajustes finais: ponto de carregamento, ponto de descarga. Porque você tem que olhar a questão do acesso rodoviário”, explicou na ocasião.
A propósito, as próximas operações-teste já estão sendo estruturadas com potenciais clientes, segundo Trevizan. A estratégia é ensaiar o modelo de contratação e operação que deverá se consolidar até 2028, quando a linha férrea estiver completamente inaugurada.
“Várias empresas nos procuraram para fazer um transporte parecido (com os anteriores), e para começar o transporte de outros tipos de carga. Nós também procuramos empresas para fazer esses testes, começar a operação comercial, e depois ir seguindo para uma operação comercial permanente”, resume.
Segundo o MIDR, “cada vagão da Transnordestina pode ser contratado individualmente, no modelo de transporte sob demanda. A contratação é feita conforme as necessidades de cada cliente, considerando o tipo de mercadoria, o volume a ser transportado, a frequência das viagens e os terminais de origem e destino”.
Tal modelo permite que uma mesma locomotiva, composta por 20 vagões, transporte cargas distintas de diferentes empresas, ou um mesmo tipo de produto, com cada vagão pertencendo a um contratante diferente em uma mesma viagem. A partir do momento em que a empresa interessada formula uma proposta para a TLSA, começa o trabalho para desenhar a cadeia logística da operação, avaliando o tipo de infraestrutura exigida para cada produto.
Por exemplo, o diretor e sócio da Tijuca, Marden Alencar Vasconcelos, conta que o primeiro contato com o departamento comercial da Transnordestina aconteceu em 2024 e evoluiu ao longo de 2025 até que a operação-teste fosse formalizada. Segundo o executivo, a negociação envolveu a construção conjunta de toda uma cadeia logística.
“Nós fomos, com muita transparência, fazendo simulações e mostrando os custos: o caminhão tem um valor específico; se o trem rodar nesse trecho, que agora está sendo efetivado, ainda será necessário complementar com frete rodoviário”, pontua.
No modelo adotado pela Tijuca, os grãos adquiridos foram transportados por caminhões das fazendas até o terminal ferroviário de Bela Vista do Piauí (PI).
A partir dali, a carga seguiu pela Transnordestina até o terminal de Iguatu (CE), onde voltou a ser embarcada em caminhões com destino às unidades da empresa em Beberibe e Horizonte.
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Teste
As duas primeiras viagens da Transnordestina transportaram carregamentos de milho e sorgo adquiridos exclusivamente pela Tijuca Alimentos