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Reforma tributária impulsiona mudanças no mercado contábil do Ceará
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Reforma tributária impulsiona mudanças no mercado contábil do Ceará

Segundo Rondinelly Coelho, presidente do CRCCE, a reforma tributária amplia o papel do contador na gestão e na segurança das empresas
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RONDINELLY Coelho diz que o CRCCE vai investir na preparação dos profissionais (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE RONDINELLY Coelho diz que o CRCCE vai investir na preparação dos profissionais

Diante das mudanças estruturais provocadas pela reforma tributária, o mercado da contabilidade vive um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos.

A transição do novo modelo de arrecadação, a necessidade de maior qualificação profissional e o combate à informalidade colocam os contadores no centro das decisões empresariais e da relação entre contribuintes e o Fisco.

Segundo o presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Ceará (CRCCE), Rondinelly Coelho Rodrigues, o contador ocupa hoje uma posição estratégica nesse processo.

"Nós nos enxergamos como gestão. O contador tem dois grandes públicos: os contribuintes — empresas e pessoas físicas — e os fiscalizadores. Estamos no meio dessa relação, com o papel de amenizar conflitos e trazer segurança", afirma.

Reforma tributária como pauta central

A reforma tributária é apontada como a principal agenda do setor contábil em nível nacional e deve impactar diretamente a rotina das empresas nos próximos anos.

De acordo com Coelho, 2026 será um período de testes, no qual os documentos fiscais já deverão ser emitidos conforme as novas exigências legais.

"Em 2026, os documentos fiscais já precisam estar adequados ao que a legislação está pedindo, para que em 2027 a reforma passe a ter efetivamente poder arrecadatório para o Governo", explica.

Nesse cenário de transição, ele destaca que a presença de um contador qualificado deixa de ser opcional e passa a ser essencial para a sobrevivência dos negócios.

O CRCCE estabeleceu como meta para 2026 se tornar o conselho que mais promove conhecimento sobre a reforma tributária no País.

"Entendemos que o profissional precisa estar qualificado, e o CRC será o grande fomentador desse conhecimento. Já estamos elaborando um plano de trabalho para os próximos anos, atendendo múltiplas plataformas", afirma.

Qualificação e crescimento do setor

Atualmente, o Conselho Regional de Contabilidade do Ceará conta com mais de 13.600 profissionais registrados e a meta da gestão é ultrapassar 14 mil contadores nos próximos dois anos.

Para isso, uma das prioridades é combater a atuação de profissionais sem registro, os chamados "leigos".

"A ideia é fazer com que esses profissionais se regularizem junto ao conselho. O registro é uma segurança para a sociedade", destaca Coelho.

Ele compara a inscrição no CRC a uma habilitação profissional: "É o que garante que aquele contador tem ética e capacidade técnica para proteger o patrimônio do cliente".

O conselho também disponibiliza, em seu site, uma ferramenta de consulta pública para que empresários possam verificar se o profissional contratado está regularizado.

Contador como gestor e consultor estratégico

O papel do contador, segundo o CRCCE, vai muito além do cumprimento de obrigações fiscais. Em um país onde mais de 60% das empresas fecham as portas em menos de cinco anos, a atuação contábil é vista como decisiva para reduzir a mortalidade empresarial.

"É preciso trabalhar mais a gestão. Não é só comprar e vender. O empresário precisa parar, entender quanto vendeu, quais são seus custos e qual é sua lucratividade real", afirma o presidente.

No caso dos microempreendedores individuais (MEIs), Coelho chama atenção para erros básicos de gestão, como a mistura do patrimônio pessoal com o empresarial.

"Separar as contas e definir um pró-labore é essencial para evitar que o negócio feche antes de crescer", diz.

Ele também alerta para a importância de não subestimar o pequeno empreendedor, que pode se tornar uma grande empresa no futuro se for bem orientado desde a base.

Já nas médias e grandes empresas, o desafio está no controle de operações mais complexas, como grandes estoques, cadastros de produtos e obrigações acessórias robustas.

Tecnologia e inteligência artificial

Para lidar com a complexidade da nova legislação tributária, o uso de tecnologia e inteligência artificial será cada vez mais necessário.

O CRCCE pretende, a partir de 2026, fomentar essas ferramentas, especialmente na área tributária.

"Imagine uma empresa com 15 mil produtos. Analisar manualmente cada parâmetro fiscal é inviável. A tecnologia será fundamental para garantir que as notas fiscais sejam emitidas corretamente", explica Coelho.

O conselho atua por meio de mais de 30 comissões técnicas, que abrangem áreas como setor trabalhista, agronegócio, novos mercados e tecnologias.

As ações incluem eventos presenciais, capacitações digitais e atividades nas macrorregiões do Estado.

Segurança jurídica e sustentabilidade dos negócios

Durante o período de transição da reforma tributária, o contador assume um papel ainda mais próximo do empresário, oferecendo segurança jurídica e apoio na tomada de decisões estratégicas.

A análise de dados, a projeção de cenários e a escolha do regime tributário mais adequado passam a ser fundamentais para reduzir custos, riscos e aumentar a rentabilidade.

Para o CRCCE, a presença de um profissional habilitado e registrado é um dos principais fatores de proteção do patrimônio empresarial e de garantia da sustentabilidade financeira a longo prazo. "Quando a contabilidade é bem feita, toda a economia ganha", conclui o presidente.

(Colaborou Beatriz Cavalcante)

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