Após as liquidações do Will Bank pelo Banco Central, na semana passada, uma onda de apreensão se espalhou pelas redes sociais. Investidores e clientes de instituições financeiras passaram a manifestar o
temor de que situações semelhantes possam atingir outros bancos e fintechs.
O POVO ouviu especialistas em educação financeira para esclarecer como os investidores podem evitar
aplicar recursos em instituições com a saúde financeira comprometida ou sob suspeitas de envolvimento
em irregularidades.
De novembro de 2025 para cá, seis instituições financeiras tiveram a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária. Todas ligadas ao conglomerado Master que, segundo o BC, demonstrou ter
grave crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira, além de ter violado
normas que regem o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
São elas: Banco Master SA; Banco Master de Investimento SA; Banco Letsbank de Investimentos SA; Master S.A. Corretora de Câmbio; CBSF; e Will Bank. O Master Múltiplo S.A. entrou em Regime
Especial de Administração Temporária (RAET).
Diante da repercussão desses casos, alguns bancos chegaram a se manifestar publicamente sobre o assunto. O Nubank — considerada a segunda maior instituição financeira do país em número de usuários, com 120 milhões de clientes, atrás apenas da Caixa Econômica Federal — e que não tem relação
com o caso Master, foi um deles.
Em comunicado em seu site, a instituição rebate boatos recorrentes que circulam na internet. “A gente vira e mexe se depara com posts mentirosos, fake news ou chamadas apelativas que questionam: ‘o Nubank vai falir?’, ‘O Nubank está falindo?’, ‘o Nubank vai sair do Brasil?’ ou ‘Banco Nubank faliu?’. A resposta para todas essas perguntas é não. Somos a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes e uma das instituições com o menor número de reclamações”, enfatizou a instituição.
Mas, afinal, o cliente tem como saber se a situação financeira de um banco é boa? A resposta é sim.
Para o economista e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC), Érico Veras Marques, “existe uma coisa que tenta englobar tudo, que é o rating das instituições. Elas vão variar, mas o maior grau é o chamado triplo A”.
“Então, toda vez que você for investir numa instituição, se você chegar na internet, pesquisar e pedir o rating de uma instituição, isso vai aparecer. E aí você tem as instituições que fazem essa classificação: tem a S&P, tem a Moody’s, tem a Fitch Ratings, que você analisa. Então, isso aí é a principal coisa que você vai olhar”, aconselha, acrescentando que não é recomendável investir em bancos que tenham rating abaixo de um triplo B.
Ele também afirma que o investidor deve desconfiar de propostas de ganhos muito acima dos praticados pelo mercado. “Deixa eu só dizer uma coisa: quem está querendo analisar uma instituição é quem está querendo investir. Então, a primeira coisa que você tem que aprender: vamos lá, você encontra o Bradesco pagando 140% do CDI? Não encontra. Você encontra o Itaú pagando 140% do CDI. Também não”, exemplifica.
“Quando a gente fala de mercado financeiro, tem duas coisas que fazem com que uma pessoa tenha problemas. A primeira é a ambição excessiva. Quando você pensa ‘eu quero ganhar muito’, não existe ganhar muito sem correr risco. A outra é o medo. Se você tem medo, você não vai conseguir investir. Então, é melhor deixar teu dinheiro na poupança”, resume.
É possível também consultar o Índice de Basileia, indicador que mede a relação entre o capital próprio do banco e o capital de terceiros, o que permite averiguar a capacidade de um banco absorver perdas em cenários adversos. Estes indicadores constam dos balanços financeiros das empresas e em boletins do Banco Central.
No Brasil, o Banco Central estabelece que as instituições financeiras devem manter um Índice de Basileia mínimo de 10,5% — formado por 8% de exigência regulatória básica e mais 2,5% de adicional de conservação de capital. Abaixo deste percentual, o banco é considerado mais vulnerável a choques financeiros.
O presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira (Abefin), Reinaldo Domingos, destaca a importância de, além de consultar indicadores de saúde financeira dos bancos, diversificar os investimentos. “O que precisa ficar muito claro é que, quando a gente fala em diversificação, a gente tem que falar do que eu estou efetivamente comprando”, explica.
“Por exemplo: se eu tenho uma conta lá no BTG, eu não compro só BTG. Eu compro XP, eu compro Itaú, eu compro outros títulos de outras empresas. Dá para fazer bastante coisa e não necessariamente naquela instituição que está intermediando as minhas aplicações. Eu não preciso, e de preferência não devo, concentrar tudo nela, nem só em títulos ou em CDBs dela”, conclui.
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Principais indicadores de saúde financeira de um banco
Rating de crédito
Avalia a solvência e a capacidade do banco honrar suas obrigações; indica risco de crédito
Onde encontrar?
Sites das agências de rating: S&P (www.spglobal.com), Moody's (www.moodys.com), Fitch (www.fitchratings.com), Banco Data (www.bancodata.com.br) ou solicitando diretamente ao banco
Índice de Basileia
Mede a relação entre o capital próprio do banco e o capital de terceiros; indica capacidade de absorver perdas
Onde encontrar?
Relatórios financeiros do banco, boletins do Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br)
Índice de Liquidez / Imobilização
Avalia a capacidade do banco de honrar obrigações de curto prazo; quão rápido recursos podem ser transformados em dinheiro
Onde encontrar?
Relatórios trimestrais do banco (Demonstrações Financeiras) e informações do Banco Central
Demonstrações financeiras / balanços
Mostra ativos, passivos, capital próprio, resultados e estrutura de endividamento do banco
Onde encontrar?
Publicadas no site do banco ou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
(www.gov.br/cvm)
Cobertura do FGC
Antes de investir, especialistas recomendam checar se o banco tem garantia do FGC. O fundo garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ
Onde encontrar?
Informações no site oficial do FGC (www.fgc.org.br); bancos associados divulgam a cobertura FGC em seus sites e contratos de investimento
Entenda
Empresas do Master liquidadas pelo BC: Banco Master; Banco Master de Investimento; Banco Letsbank ; Master S.A. Corretora de Câmbio; CBSF; e Will Bank. O Master Múltiplo S.A. entrou em Regime Especial de Administração Temporária (RAET)