A nova conexão direta entre Fortaleza e Madri, operada pela Iberia, mal completou sua primeira semana e já apresenta um comportamento de mercado diferente do previsto pela própria companhia aérea.
Com três frequências semanais e meta de se tornar diário até o fim de 2026, o voo tem presença maior de estrangeiros, sinalizando — ainda sem números detalhados da empresa — que a rota pode ter uma viabilidade mais rápida.
Para Raphael de Lucca, gerente de país da Iberia, esse fluxo de entrada é o principal indicador de sucesso para a sustentabilidade do voo.
A rota teve suas primeiras impressões relatadas por executivos em encontro realizado nesta terça-feira, 27 de janeiro, no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza.
“Para os primeiros voos, esperávamos muito mais cearenses, e foi o que aconteceu. Mas nos surpreendemos com o número de espanhóis que vieram. Isso é um sinal positivo; seguindo assim, a ocupação dificilmente será um problema”, afirmou De Lucca.
A Iberia trabalha com um cronograma de expansão escalonado. Atualmente com três frequências semanais, a companhia planeja subir para quatro em fevereiro e, posteriormente, cinco voos por semana.
Atingindo as metas no tempo hábil, a promessa é que o ano termine com a rota acontecendo diariamente.
A projeção da empresa é que o primeiro semestre de 2026 supere os 30 mil assentos ofertados para atingir o número de 55 mil ao fim do ano.
Segundo ele, o Nordeste brasileiro vence a “disputa interna” por novas rotas devido à combinação de dimensão de mercado — e de território — e indicadores corporativos.
Embora o executivo espanhol tenha afirmado que os números seguem o previsto, a companhia optou por não abrir a porcentagem real de assentos ocupados nos primeiros voos.
Sem esses dados, não foi possível mensurar se a viabilidade da rota depende exclusivamente da demanda orgânica.
Um dos pontos centrais da estratégia da Iberia para manter o avião cheio é não mudar, mas ampliar como o Ceará é “vendido” na Europa.
A avaliação da empresa é que o turista europeu tem um perfil distinto do americano: ele busca vivência cultural e não apenas o isolamento em resorts.
“Fortaleza não é o Caribe para as pessoas só a verem pelas praias a visitar (…) Os europeus querem ver músicas, danças, culinária típica. Gostam muito do humor, que é algo muito exportado do Ceará”, destacou Moneo.
“Escolhemos esta cidade porque nos parece uma oportunidade. Estamos atentos a incrementos de oferta. O Brasil, como país, tem enorme potencial, especialmente o Nordeste, que tem três coisas que lhe fazem ter êxito numa luta: tamanho/dimensão, bons indicadores corporativos e busca por férias”, complementa.
Para alimentar essa demanda, a companhia pretende treinar suas forças de venda “especialmente na Espanha e no Reino Unido” para apresentar destinos além da capital, focando no Litoral Leste e no potencial do interior do Estado.
Raphael conta que sua esposa é cearense, então ele tem circulado por outras áreas da cidade, que serão apresentadas a operadores turísticos nas próximas remessas.
O interesse da Iberia no Ceará não é apenas turístico. A Espanha é, atualmente, o segundo maior investidor no Brasil — sendo o maior europeu —, com forte presença em setores de infraestrutura, seguros e tecnologia.
O voo direto é visto como um facilitador logístico para essas empresas, especialmente em um cenário de expectativa pelo avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul.
“No dia 19, no primeiro voo, já levamos tudo para uma feira internacional em Madri e ligamos o Ceará a profissionais que a gente conhece do mercado europeu”, explica Raphael de Lucca.
Segundo ele, a Secretaria de Turismo (Setur) está completamente integrada no projeto para que tudo ocorra conforme o planejado.
A Setur, inclusive, projeta que o impacto econômico no Ceará será de R$ 144,5 milhões com o novo translado.
Contudo, ainda não foi detalhado o valor da renúncia fiscal via redução de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) no querosene ou custeio de assentos aos quais o Governo do Ceará concederá à Iberia.
Segundo os executivos ouvidos, a atual conectividade da Iberia com o Brasil — na totalidade — é a maior da história da companhia aérea.
Durante a apresentação, eles destacaram que 80% desse crescimento se deve às duas novas rotas para Recife e Fortaleza.
Avanço
De acordo com a Iberia, a atual conectividade com o Brasil é a maior da história da companhia aérea. Segundo os executivos, 80% desse crescimento se deve às novas rotas para Recife e Fortaleza