O Ceará gerou 49.184 novos postos formais de trabalho em 2025, como resultado de 667.953 admissões e 618.769 desligamentos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregos (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O resultado representou uma queda de 12,7%, na comparação com 2024, quando foram criados 55.433 novas vagas de trabalho com carteira assinada. Apesar disso, o desempenho foi o terceiro melhor do Nordeste, atrás apenas da Bahia, com 94.380 novas vagas com carteira assinada, e de Pernambuco, com 72.565.
O desempenho abaixo do esperado para o ano foi fortemente impactado pelos números de dezembro, quando o saldo de empregos ficou negativo em 10.800. Os resultados negativos são relativamente comuns em dezembro, por questões de sazonalidade, mas em 2025 esse número foi 47,9% pior que o verificado em dezembro de 2024, quando ficou em -7.143 vagas formais.
Na comparação mensal, a desaceleração fica mais evidente, já que no mês de novembro haviam sido geradas 5.874 novas vagas formais de trabalho. A diferença, neste comparativo, é de -283,3%. Os resultados negativos de dezembro, contudo, não ocorreram só no Ceará, mas ao contrário foram observados em todas as 27 unidades da federação. O saldo brasileiro em dezembro foi de -618.164.
É o que pondera o secretário do Trabalho, Vladyson Viana. “É um comportamento da economia brasileira como um todo. E isso já era até esperado, embora tenha sido mais intenso, mas já era esperado. Já era uma previsão do mercado de trabalho de que, em dezembro e janeiro, haveria uma desaceleração. Isso faz parte da dinâmica do mercado de trabalho”, pontua.
“Por outro lado, a gente teve com esses 49 mil postos, um crescimento positivo de 3,5% no nosso estoque de carteiras assinadas, de postos de trabalho. E continuamos com um bom número quando a gente trata do acumulado dos três anos: a gente ultrapassa a marca de 155 mil. Nós tivemos essa desaceleração em dezembro; janeiro também é um período de desaceleração, mas, a partir de fevereiro, assim como em outros anos, nós vamos ter aí uma retomada do crescimento da economia, principalmente no setor de serviços”, projeta.
Por falar em setores, o de serviços foi o que apresentou o comportamento mais extremo nas comparações entre o desempenho de dezembro e do ano como um todo. Por um lado, foi o que mais criou postos de trabalho com carteira assinada ao longo do ano. Nada menos que 22.255. Por outro lado, foi o que mais perdeu vagas formais em dezembro, com saldo negativo de 4.735.
O impacto no setor de serviços, contudo, não foi homogêneo. O setor de alimentação fora do lar não sofreu com perda de postos de trabalho, conforme o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto.
“Ao contrário, o setor está necessitando muito de mão de obra, está sofrendo um verdadeiro 'apagão de mão de obra', então dificilmente vai haver redução em contratações. E principalmente em dezembro, que a gente teve um aumento de faturamento em torno de 20%, em relação a um mês normal”, relata.
O comércio, por sua vez, foi o único a ter desempenho positivo em dezembro, com a criação de 1.163 novos postos de trabalho com carteira assinada e também aparece bem posicionado, em segundo lugar, entre os setores que mais cresceram no Ceará em 2025, com 9.509 novas vagas criadas ao longo do ano passado.
O setor da construção também foi fortemente afetado pela sazonalidade. Assim como o de serviços teve forte oscilação em 2025, com 9.486 novos postos com carteira assinada criados no anos, mas com o fechamento de 3.489 postos em dezembro.
A indústria, por sua vez, gerou 5.877 postos de trabalho em 2025, mas fechou 3.336 no último mês do ano passado. Por fim, a agropecuária gerou 2.057 vagas formais de trabalho, mas perdeu 403 em dezembro último.
Entre os municípios, Fortaleza destacou-se como o que mais gerou postos de trabalho no ano, com saldo positivo de 19.095, mas também como o que mais perdeu vagas em dezembro, com saldo negativo de 6.823.
projeção
O saldo do ano ficou abaixo da mediana das estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, de abertura líquida de 1,4 milhão de postos em 2025. As expectativas variavam de 1.315.146 a 1.895.130