Outro tratado firmado com o bloco europeu que tem potencial de beneficiar a economia cearense é o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O Conselheiro Consultivo Internacional do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Roberto Jaguaribe, explica que a captação de investimentos aparece como uma das principais prioridades.
"Esse acordo é um acordo de afinidades e de investimentos. E os grandes benefícios dele, dos dois lados, mas sobretudo no Mercosul e no Brasil, vão ser os novos investimentos trazidos por esse espaço que se cria de convergências."
A declaração também foi dada durante o evento. Na ocasião, diversos representantes da UE e do Brasil discutiram o que o acordo entre os blocos econômicos poderia trazer de benefícios para ambas as partes.
Considerando o Ceará, Fábio Grandchamp, vice-presidente de operações do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), ressalta que o Estado já reúne ativos estratégicos capazes de atrair capital estrangeiro.
Assim, ele explica que a expectativa é de, com o acordo, que esse fluxo seja facilitado, ampliando a atratividade do Ceará como porta de entrada para novos negócios. "Hoje a gente já abarca uma série de empresas europeias que decidem fazer o investimento dentro do Pecém. Com esse acordo, os investimentos vão ser facilitados, então temos a possibilidade tanto de conseguir colocar mais produtos dentro da Europa, quanto de aumentar a entrada de produtos europeus para o nosso mercado. Ou seja, aumenta a nossa competitividade."
O cenário é reforçado pela superintendente estadual do Ceará do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Eliane Brasil, que cita o mercado europeu como um dos maiores destinos de exportações do Ceará. Em 2025, por exemplo, conforme dados do Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN) da Fiec, o Ceará exportou mais de US$ 447 milhões para a União Europeia. Alta de 72% em relação ao ano anterior.