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Vai, jornalista!

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POR RICARDO GANDOUR
 
DIRETOR EXECUTIVO DE JORNALISMO DA REDE CBN DE RÁDIOS, PARCEIRA DO O POVO 
 
Que satisfação escrever estas linhas para o caderno especial dos 90 anos d’O POVO! São nove décadas de dedicação contínua à reportagem e à edição. Mais do que nunca, é preciso celebrar a longevidade de um veículo dessa importância e com essa história.
 
 
O que dizer num momento tão significativo? Primeiro, nunca precisamos tanto do bom jornalismo quanto agora – e principalmente neste ano que se inicia. Jornalismo é, antes de tudo, uma atitude, um espírito permanente de insatisfação, aquela centelha que nos faz ir além do que nos é mostrado. Mas de nada adianta esse impulso se não tivermos um método – de verificação, de checagem e de humildade para corrigir erros. A isso tudo deve se somar o domínio de uma narrativa, que torne o nosso relato claro e fácil de entender para o nosso leitor, ouvinte ou espectador. Pronto, está aí uma receita simples para o bom jornalismo.
 
 
Mas o jornalismo tem inimigos, gente que não quer que ele cresça e apareça. Geralmente as críticas vêm de quem se sente incomodado pela investigação e pela busca da transparência. Modernamente, muitas pessoas – principalmente políticos  – passaram a chamar tudo aquilo que lhes desagrada de “fake news”, notícias falsas. É uma confusão proposital. Uma coisa é “fake news”, informação inventada e distribuída com a intenção de confundir. Outra coisa é uma reportagem investigativa, apurada e checada – mas que pode, eventualmente, conter algum erro, que deve ser corrigido com transparência. É esse método que diferencia o bom jornalismo do “jornalismo de fachada” que esconde muitas “fábricas de fake news” por aí.
 
 
Somam-se ao bom jornalismo as novas possibilidades que a tecnologia proporciona. O uso de áudios e vídeos, e das redes sociais como forma de chamar a atenção da sociedade para reportagens especiais, e como prestação de serviço aos cidadãos.
 
 
Uma redação de jornal é basicamente dividida em dois grandes grupos de profissionais, os repórteres e os editores. Todos são jornalistas. Os repórteres são os garimpeiros, os que apuram e trazem as notícias para a redação. Os editores organizam, orientam e trabalham para aprimorar as reportagens, “empacotando” tudo de uma forma clara e agradável. No caso do rádio e da TV, temos ainda os produtores e os apresentadores, contato final com o público.
 
 
É um processo custoso e organizado, que demanda capital, talentos e treinamento.
O futuro traz desafios para que esse modelo se sustente, mas acredito firmemente que a grande turbulência está passando. Em meio a tanta informação de origem duvidosa, as pessoas estão cada vez mais se voltando às fontes confiáveis.
 
 
Outro aspecto importante é o jornalismo regional, do qual O POVO é um representante genuíno. Num mundo globalizado, aumenta o valor da informação do meu bairro, da minha cidade e do estado. As cidades e os bairros sempre foram “redes sociais” informais, e os jornais regionais são os especialistas.
 
 
Vai, jornalista, cumprir a sua missão. Vai, O POVO, fazer dos seus 90 anos mais uma renovação!

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