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Tricampeão mundial, Gabriel Medina iguala Andy Irons, Tom Curren e Mick Fanning

Surfista paulista superou temporada de polêmicas para se igualar a lendas do esporte em número de títulos mundiais. O brasileiro só fica atrás do norte-americano Kelly Slater e do australiano Mark Richards
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Trio brasileiro: Gabriel Medina, campeão masculino; Tatiana Weston-Webb, vice feminina; Italo Ferreira, campeão olímpico (Foto: Thiago Diz / World Surf League)
Foto: Thiago Diz / World Surf League Trio brasileiro: Gabriel Medina, campeão masculino; Tatiana Weston-Webb, vice feminina; Italo Ferreira, campeão olímpico

Em uma temporada quase perfeita, Gabriel Medina conquistou o tricampeonato mundial de surfe ao ganhar do também brasileiro Filipe Toledo na decisão do Rip Curl WSL Finals, ontem, em Trestles, na Califórnia (Estados Unidos). É o terceiro troféu do atleta de Maresias, que foi campeão em 2014 e 2018, e ajudou a manter o domínio brasileiro.

O tricampeonato mundial de surfe finaliza um ano em que Gabriel Medina precisou lidar com o sucesso em cima da prancha, polêmicas fora dela e até mudança em sua estrutura de competição. A começar pelo fim da parceria com Charles Saldanha, seu pai, com quem treinou a vida inteira até esta temporada. Mas, ontem, o paulista de 27 anos se mostrou insuperável.

"Não é todo dia que você realiza um sonho", afirmou o surfista brasileiro, bastante emocionado, também campeão em 2014 e 2018. "Trabalhei muito duro, não tem outra forma de vencer", completou, em sua entrevista após sair da bateria que lhe deu mais um título mundial. Logo na sequência, foi interrompido por Filipinho, derrotado nas baterias finais, que fez questão de dar mais um abraço em Medina.

"Ele disse que eu merecia esse título. Eu sempre respeitei esses adversários, Filipe, Italo (Ferreira, campeão em 2019), todos que estão no circuito. Por isso que aprendo muito e sei que preciso ser intenso. É muito duro uma disputa como essa, mas graças a Deus eu consegui", continuou o surfista, que fez uma ótima competição.

Nas últimas sete edições do Circuito Mundial de Surfe, o Brasil conquistou cinco títulos, os três de Medina, um de Adriano de Souza (2015) e um de Italo Ferreira (2019), que é ainda o primeiro campeão olímpico da modalidade. A conquista coroa uma temporada fantástica de Medina, que ao final das sete etapas anteriores terminou na primeira colocação do ranking mundial com uma vantagem sobre o segundo colocado (Italo Ferreira) superior aos 10 mil pontos, que em outros anos já lhe garantiria o título mundial por antecipação.

A decisão veio com um novo formato de finais do WCT. Eram cinco finalistas, com duelos eliminatórios do pior ao melhor ranking. As baterias começaram nas oitavas de final, Conner Coffin (EUA) eliminando Morgan Cibilic (Austrália). Nas quartas, o norte-americano encarou Filipe Toledo, que, ao vencer, garantiu o título brasileiro. Filipinho passou ainda por Italo Ferreira na semifinal antes de encarar Medina. 

Polêmicas marcaram a temporada

A temporada foi das mais puxadas para o agora tricampeão mundial. Medina acabou se afastando da família após o casamento com a modelo Yasmin Brunet, que agora o acompanha em todas as competições — com exceção da polêmica nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Sem Charles, ele escolheu o australiano Andy King para acompanhá-lo na perna australiana do Circuito Mundial de Surfe e essa parceria deu muito certo.

Os resultados foram aparecendo e o surfista pareceu estar mais leve nas disputas. E foi assim que ele dominou as etapas uma após a outra e chegou à liderança do ranking mundial com grande folga sobre o segundo colocado, o também brasileiro Italo Ferreira, campeão da última edição do circuito e medalhista de ouro na Olimpíada.

Após uma boa competição olímpica, ele acabou sendo eliminado na semifinal para o japonês Kanoa Igarashi e reclamou das notas dadas ao adversário, que foi para a final e ficou com a prata. Já Medina saiu de Tóquio sem um lugar no pódio.

Depois, outra grande polêmica que tomou as redes sociais e envolveu seu nome foi em relação à imunização contra o novo coronavírus. O surfista disse que não iria disputa a etapa no Taiti (que depois foi cancelada) porque não tinha tomado a vacina contra a Covid-19. Logo muitas pessoas começaram a acusar o surfista de ser anti-vacina, mas ele tentou de explicar que não era o caso, que o imunizante era importante, mas que não tinha conseguido encaixar isso em sua agenda. Para muitos, o argumento não convenceu.

Mas após toda a polêmica, ele chegou para a disputa do WSL Finals e conseguiu mostrar todo o seu talento ao superar Filipinho. Teve um ótimo desempenho e chegou ao seu terceiro título mundial, alcançando o mesmo número de troféus de lendas como seu ídolo Mick Fanning (Austrália), Andy Irons (Havaí) e Tom Curren (Estados Unidos). Ele só é superado pela lenda Kelly Slater, 11 vezes campeão, e o penta Mark Richards, da Austrália.

 

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