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Zagallo: o adeus de uma lenda eterna
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Zagallo: o adeus de uma lenda eterna

Alagoano de nascença e criado no Rio de Janeiro, Zagallo foi o único a participar de quatro das cinco Copas do Mundo vencidas pelo Brasil (dois títulos como jogador e outros dois como treinador e assistente técnico)
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Entidades e clubes de futebol prestam homenagens a Zagallo (Foto: )
Foto: Entidades e clubes de futebol prestam homenagens a Zagallo

Único tetracampeão mundial, o ex-jogador, ex-técnico e eterno símbolo da seleção brasileira, Mario Jorge Lobo Zagallo, morreu aos 92 anos na última sexta-feira, 5 de janeiro de 2024, às 23h40min, por falência múltipla dos órgãos. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, decretou luto oficial por três dias no país.

Alagoano de nascença e criado no Rio de Janeiro, Zagallo foi o único a participar de quatro das cinco Copas do Mundo vencidas pelo Brasil (dois títulos como jogador e outros dois como treinador e assistente técnico). Ele estava internado desde 26 de dezembro no hospital Barra D'Or, na capital carioca.

O velório de Mario Jorge Lobo Zagallo será na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), localizada no bairro Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Aberto ao público, as pessoas poderão se dirigir ao local a partir das 9h30min deste domingo, 7. O sepultamento está marcado para às 16 horas no Cemitério São João Batista, também neste domingo.

Revolucionário como jogador, Zagallo iniciou no futebol como meia, mas aos poucos foi se consolidando pelo extremo do campo, como um ponta-esquerda. Foi nesta função, inclusive, que o Velho Lobo atuou na primeira seleção brasileira campeã do mundo em 1958. Ao assumir uma postura tanto ofensiva como defensiva, liberou Pelé, Garrincha e cia para levantarem a taça do mundo. Feito que repetiram em 1962.

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Oito anos depois, após a demissão de João Saldanha, foi convocado para ser o técnico da seleção dos cinco camisas 10. Foi dele o feito de escalar, no mesmo time, Pelé, Tostão, Gérson, Jairzinho e Rivellino, naquele que é visto por muitos como o maior da história do futebol. O título da Copa de 70 firmou a hegemonia brasileira no esporte mais popular do mundo, simbolizada pela posse da taça Jules Rimet.

Quando a seca de títulos já beirava os 30 anos, Zagallo foi convocado para driblar a crise. Em 1994, ele era assistente de Parreira no time que tinha no ataque Romário e Bebeto e conquistara o tetra. Quatro anos depois, o carioca levaria a seleção brasileira a mais uma final, que redundaria em derrota para a França — na França.

Com isso, o emblemático Zagallo se tornava o único a treinar a Amarelinha em três Copas do Mundo, vencendo 1970, terminando em quarto em 1974 e sendo vice-campeão em 1998. Supersticioso, fiava suas preces ao místico número 13. Repetia, insistentemente, frases de 13 letras para dar sorte.

Era, até a última sexta-feira, o campeão do mundo mais velho vivo, aos 92 anos. O único que podia rivalizar com Pelé, tricampeão como jogador (1958-1962-1970). Agora, os dois maiores representantes da mais famosa camisa amarela do planeta vão poder fazer uma tabela em outro plano.

“Estamos vivendo um momento de perda dessa figura monumental. O Zagallo representa, para o futebol brasileiro, talvez seja a figura, juntamente de Pelé e Garrincha, uma figura primordial, uma figura principal”, disse Humberto Rêdes, parceiro de Zagallo no Botafogo na década de 60 e amigo pessoal, em depoimento ao O POVO.

 

Texto escrito por André Bloc e Cláudio Ribeiro.

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