Com semblante alegre e sorriso largo, Renato Paiva desembarcou na tarde de ontem na capital cearense para dar início à sua trajetória como técnico do Fortaleza. No Aeroporto Pinto Martins, o português foi recebido por Marcelo Boeck, membros da comunicação do clube, alguns torcedores e profissionais da imprensa. Apesar da pressa, atendeu a todos, tirou fotos e deu suas primeiras declarações sobre o novo desafio.
“Não venho substituir o (Juan Pablo) Vojvoda, eu venho fazer minha história”. A frase dita por Paiva aos jornalistas, ainda no saguão de desembarque, foi um recado claro: ele não quer ser comparado ao ex-comandante do Leão, que esteve à frente do clube nas últimas quatro temporadas. São cenários diferentes, dentro de perfis de trabalho também distintos. Se não fosse esse o intuito — mudar e causar impacto —, não haveria a troca.
Pessoalmente, para sua carreira, esta será uma nova oportunidade de se provar no futebol brasileiro, onde teve experiências mornas no Bahia e no Botafogo. Em 2023, no Esquadrão, sofreu com críticas e desconfiança da torcida. Pediu demissão e deixou o clube nordestino na zona de rebaixamento da Série A após a 22ª rodada. No Glorioso, até chegou a ter um ápice ao vencer o campeão europeu PSG, no Mundial, mas a passagem não durou mais de seis meses.
"São realidades diferentes: Bahia, Botafogo e agora Fortaleza. O que me traz aqui é, de fato, um projeto muito bonito. Os últimos anos do clube falam por si, e a grandeza do clube. Muita vontade de melhorar as coisas. Meu colega, Juan Pablo, fez um trabalho fantástico. É uma herança que eu gosto, é isso que nós vamos fazer. Não venho substituir o Vojvoda, eu venho fazer minha história. Vojvoda fez a dele, muito bem feita e bonita. Eu venho fazer minha história porque eu sou eu", resumiu Paiva.
Minutos antes da chegada do treinador em solo cearense, o Fortaleza oficializou a sua contratação, com vínculo até dezembro de 2026. Embora a comissão técnica não tenha desembarcado ainda, Paiva já comandou o primeiro treino com o elenco tricolor ontem, dando continuidade à preparação visando o Bahia — que foi iniciada pelo auxiliar fixo Léo Porto.
"Espero que seja marcante na história do Fortaleza com títulos, vitórias e, acima de tudo, ao fazer a torcida feliz. A torcida do Fortaleza é muito conhecida, já joguei aqui e senti como é. Chego aqui com muito orgulho e ambição", finalizou. Paiva enfrentou o Tricolor do Pici no Castelão em junho de 2023, quando treinava o Bahia, em jogo que terminou em 0 a 0.
A estreia será justamente do outro lado deste confronto. Contra o Bahia, neste sábado, na Arena Castelão, a tendência é de que Renato Paiva esteja na beira do campo dando instruções ao time. Mesmo que o Fortaleza não consiga a regularização do treinador a tempo no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, o clube deve utilizar a estratégia de inscrever o português como auxiliar de preparador de goleiros — artifício que o Botafogo fez para ter Davide Ancelotti diante do Vasco.