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Após diagnóstico errado nos EUA, Vittoria Lopes retorna a Fortaleza e disputa o Challenge
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Após diagnóstico errado nos EUA, Vittoria Lopes retorna a Fortaleza e disputa o Challenge

Em entrevista ao "Esportes do POVO", da Rádio O POVO CBN, nesta sexta-feira, 29, a atual número 78 do ranking mundial falou sobre a expectativa de disputar, neste domingo, 31, o Challenge Fortaleza — prova que terá um sabor especial por ser a primeira vez competindo em sua cidade natal
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FORTALEZA, CEARÁ,  BRASIL- 29.08.2025: Vittoria Lopes, triatleta, em entrevista para os Esportes do O POVO. (Foto: Aurélio Alves/ Jornal O POVO) (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES FORTALEZA, CEARÁ, BRASIL- 29.08.2025: Vittoria Lopes, triatleta, em entrevista para os Esportes do O POVO. (Foto: Aurélio Alves/ Jornal O POVO)

Com duas Olimpíadas no currículo — Tóquio 2020 e Paris 2024 —, múltiplas medalhas em Jogos Pan-Americanos e Mundiais Militares e eleita Atleta do Ano pelo Comitê Olímpico Brasileiro em 2017, a triatleta cearense Vittoria Lopes carrega uma trajetória marcada por conquistas e feitos expressivos.

Em entrevista ao Esportes do POVO, da Rádio O POVO CBN, nesta sexta-feira, 29, a atual número 78 do ranking mundial falou sobre a expectativa de disputar, neste domingo, 31, o Challenge Fortaleza — prova que terá um sabor especial por ser a primeira vez competindo em sua cidade natal.

“É a primeira vez que estou competindo aqui em Fortaleza. Competi uma vez em um Cearense, mas, internacionalmente, em uma prova que não seja o Campeonato Cearense, sim, é a primeira vez”, afirmou Vittoria.

No entanto, esse reencontro da atleta olímpica com as ruas da Terra da Luz quase não aconteceu. Atualmente morando nos Estados Unidos, ela revelou que, no mês passado, recebeu um diagnóstico incorreto no país norte-americano, o que a fez retornar à cidade natal.

Na ocasião, segundo Vittoria, foi informado que ela tinha uma fratura. Com isso, optou por voltar ao Brasil em busca “dos ótimos médicos e da saúde mais humana”. Para sua surpresa, entretanto, foi descoberto que, em vez de uma fratura, ela apresentava apenas uma inflamação.

Com o novo diagnóstico, ela contou que, num primeiro momento, “nem pensava mais em competir este ano”. Todavia, com a melhora acelerada de seu quadro de saúde, retornou aos treinos de corrida e logo percebeu: “Tem o Challenge”.

“Eu nunca competi em casa, e acho que foi isso que me deu motivação para me inscrever, porque eu estava com zero pensamento de competição. E eu falo: ‘Será que foi o destino que me trouxe pra cá?’ E agora eu vou competir o Challenge na minha cidade natal. Estou bastante feliz por ter essa oportunidade. Quando é na nossa casa, a gente sente aquele orgulho a mais, de pensar: ‘Olha, aqui é onde a gente corre, aqui é a academia da minha mãe’. Então a gente carrega esse orgulho dentro da gente”, disse.

Em relação à corrida, Vittoria afirma estar pronta e comprometida, mesmo reconhecendo que sua preparação não foi a ideal. A atleta garante que dará tudo de si durante a prova e espera que a torcida forneça um incentivo extra ao longo do percurso.

Clima e percurso

Enquanto se reconecta com sua cidade, Vittoria aproveitou a estadia para se aclimatar em Fortaleza. “Nessa semana, o tempo mudou. De manhã está ok, mas à tarde já começa a aparecer aquele calor. Fui nadar uma vez no mar e achei até um pouco mais friozinho, se é possível”, contou.

No domingo, acontecerão as provas de triatlo Half Distance e Sprint do Challenge, e Vittoria participará da primeira delas, principal e de maior distância. O percurso começará com a natação, em volta única entre os espigões da Praia de Iracema, totalizando 1,9 km.

A transição para o ciclismo será em frente ao Ideal Clube, seguindo pela avenida Beira Mar até o Mercado dos Peixes, depois para a avenida Governador Raul Barbosa até o viaduto da Avenida Murilo Borges, passando pela avenida Senador Carlos Jereissati, em um percurso que envolverá três voltas, totalizando 90 km.

Na última volta, ao invés de seguir pela Via Expressa, os atletas seguirão pela Beira-Mar, entrando na rua Nunes Valente e depois na Avenida Abolição, até retornarem ao ponto de partida. Já a corrida terá três voltas de 7 quilômetros pela nova Avenida Beira-Mar, completando os 21 quilômetros de meia-maratona.

“Achei o percurso bem rápido. Acho que é melhor ser circuito, três voltas, porque assim fica mais perto do público para poder acompanhar. Antes, quando era na Rodovia Estruturante (CE-085), a corrida era mais solitária. E a prova na Beira Mar é sempre uma festa”, completou.

Porém, para alcançar o lugar mais alto no pódio, Vittoria precisará superar algumas concorrentes já conhecidas. “Tem uma portuguesa (Raquel Mafra Rocha) que nada e pedala bem. Tem uma de Curitiba (Pietra Meneghini) que também pedala bem, que já conheço. Tem a Mikelle Coelho, que corre muito bem no calor de Fortaleza, e tem uma americana (Amy VanTassel). Esses são os nomes que já dá pra ter uma ideia. Mas confio muito no meu potencial”, afirmou.

Caminho olímpico

Apesar de toda a preparação mental que um atleta precisa desenvolver, as dúvidas sobre qual caminho seguir são inevitáveis. O “sonho olímpico” é o desejo de milhões, mas para Vittoria Lopes existe uma inquietação. “São dois anos de classificação, então estou nessa decisão sobre focar nas Olimpíadas ou na longa distância, que é o Challenge e o Ironman”, revelou.

Entretanto, se a competição em Fortaleza foi fator motivacional para a disputa do Challenge neste fim de semana, as Olimpíadas em sua “segunda casa” podem ser determinantes para a decisão. “Mas, por ser uma prova em Los Angeles — que não é minha casa, mas onde treino nos Estados Unidos —, ainda não consigo dispensar, e acho que ainda tenho um caminho olímpico a percorrer”, explicou ela.

A dúvida em começar a preparação pode ser resquício de um evento passado. Durante a etapa de ciclismo da prova de triatlo da Olimpíada de Paris-2024, Vittoria acabou caindo e perdendo várias posições. 

No momento da queda, a cearense fazia grande prova: saiu na terceira posição da etapa de natação e estava entre as líderes quando sofreu o tombo, tendo a prova totalmente prejudicada. Ela fechou a disputa na 25ª colocação.

“Eu nunca caí de bicicleta na minha vida, até que caí em Paris, nas Olimpíadas de 2024, com mais 20 meninas. Ainda assim, tenho expectativa de seguir nas Olimpíadas, especialmente em Los Angeles. A preparação começa no próximo ano. Mas este ano estou aproveitando para competir mais em casa, no Brasil, e recarregar minha energia”, concluiu.

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