Com o início do pagamento da indenização milionária por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a diretoria do Icasa começa a planejar os próximos passos em busca da reestruturação do clube e da retomada do protagonismo em competições do futebol local e nacional. Além da quitação de dívidas e de investimentos no elenco e no centro de treinamento, o Verdão do Cariri mira o acesso à Série A do Campeonato Cearense e o título da Copa Fares Lopes, em 2026, o que garantiria vaga na Copa do Brasil de 2027.
Em entrevista exclusiva ao Esportes O POVO, o presidente Celso Pontes, que acumula passagens pela agremiação desde a década de 1990 e tem mandato até julho de 2026, esclareceu o cenário de incerteza sobre a quantia exata que o Icasa irá receber e detalhou os planos de longo prazo. Em 2026, o clube do Interior do Ceará disputará a Série B do Campeonato Cearense e a Copa Fares Lopes.
“Agora é lutar pois não tem outra alternativa, a não ser o Icasa na Série A do Campeonato Cearense. É um time de massa, com boa estrutura, tem que voltar. A prioridade em 2026 é ser campeão da Copa Fares Lopes e, em 2027, já participar da Copa do Brasil”, afirmou Celso.
A indenização ao Icasa é referente ao erro ocorrido na Série B do Campeonato Brasileiro de 2013, quando o time cearense terminou na quinta colocação e ficou fora do G-4 de acesso à Série A — o Figueirense foi beneficiado ao fugir de punição mesmo tendo escalado jogador irregularmente. Um primeiro depósito, no valor de R$ 80,9 milhões, foi realizado em uma conta judicial. O montante total da indenização, no entanto, chega a R$ 84,3 milhões.
Do valor já depositado, pouco mais de R$ 75 milhões correspondem à indenização destinada ao clube, mas ainda há incerteza sobre quanto efetivamente sobrará para os cofres do Icasa. De acordo com o presidente Celso Pontes, serão descontados os honorários advocatícios (30%) e as dívidas trabalhistas e cíveis acumuladas ao longo dos anos.
"Foi um prejuízo financeiro e moral. Os dirigentes deixaram correr a revelia. Por isso, o Icasa está devendo um absurdo de dívidas trabalhistas. Hoje, o Icasa paga muito caro por isso. Não era um time rico, mas um time bem estruturado, que sempre chegava nas finais do Campeonato Cearense, participava de Copa do Brasil, da Série B, Série C", desabafou Celso.
Segundo o dirigente, o Icasa solicitará à Justiça o repasse imediato de uma parte do valor para investir em estrutura e na montagem do elenco para a Série B do Campeonato Cearense de 2026. Os advogados do clube tentam resolver a questão até esta sexta-feira, 19, antes do início do recesso do Judiciário.
"Eu acredito que nós vamos conseguir porque o restante só vem quando terminar de pagar todas as dívidas que estão no processo", comentou.
“Com esse valor, a gente já começa a trabalhar para a Série B do Cearense, montar um time forte para voltar à Série A do Estadual. Nós temos que investir na estrutura do centro de treinamento. Aí têm as prioridades, gramado, vestiário. Nós temos um centro de treinamento com boa estrutura, mas, há muitos anos, vem se deteriorando”, completou.
A ação judicial se iniciou em 2013, quando o Icasa acusou o Figueirense de escalar um jogador de forma irregular durante a Série B. Naquela edição, apenas um ponto separou as equipes, garantindo ao clube catarinense o acesso à elite do futebol brasileiro. O Verdão do Cariri acabou rebaixado à Terceirona em 2014, indo para a Série D no ano seguinte e caindo até de divisão no Cearense em 2016
A CBF, organizadora da competição, reconheceu a falha de 2013, mas recorreu da decisão judicial, o que adiou o pagamento da indenização por mais de uma década.
Com Lucas Mota