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Pacheco aciona Fortaleza na Justiça por atraso de pagamentos e quer rescisão indireta
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Pacheco aciona Fortaleza na Justiça por atraso de pagamentos e quer rescisão indireta

O jogador alega atraso em diversos pagamentos, incluindo salários, 13º, direito de imagem e luva. O valor cobrado pelo lateral no processo é de quase R$ 6 milhões
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Lateral-esquerdo Bruno Pacheco na chegada ao Castelão para o jogo Fortaleza x Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro Série A 2025 (Foto: Mateus Lotif/Fortaleza EC)
Foto: Mateus Lotif/Fortaleza EC Lateral-esquerdo Bruno Pacheco na chegada ao Castelão para o jogo Fortaleza x Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro Série A 2025

O caótico final de temporada do Fortaleza ganhou mais um capítulo, desta vez na Justiça. O lateral-esquerdo Bruno Pacheco moveu uma ação contra o Tricolor do Pici cobrando R$ 5,9 milhões na véspera do Ano-Novo, dos quais parte do montante se refere a uma série de atrasos de pagamentos, como salários, 13º, direito de imagem, FGTS, férias, auxílio-moradia e parcelas de luvas.

O Esportes O POVO apurou que, antes de abrir o processo, o jogador, que tem vínculo com o Leão até o final de 2026, fez reuniões com Marcelo Boeck, assessor executivo de futebol do clube, e pediu a rescisão contratual de forma amigável.

Inicialmente, a solicitação foi negada pelo Fortaleza, já que existia uma negociação em curso para vender o jogador e, assim, ter uma compensação financeira. A reportagem também apurou com fontes ligadas ao Tricolor do Pici de que o lateral-esquerdo tinha ciência dessa possibilidade de transferência.

Na ação trabalhista, na qual o lateral é representado pelo advogado Filipe Rino, é descrito que o Fortaleza não efetuou os pagamentos dos salários de novembro e dezembro, do 13º salário de 2025, do abono de férias gozadas de 2023/2024 (15 dias) e do direito de imagem de novembro e dezembro de 2025. Além disso, Pacheco cobra as parcelas de luvas dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, bem como as férias de 2024/2025, que ainda estariam pendentes.

Segundo consta no documento do processo, ao qual o Esportes O POVO teve acesso, após Bruno Pacheco e o Fortaleza renovarem o vínculo contratual em agosto de 2024 — que passou a ser válido até o final de 2026 —, ficou estipulado que o clube pagaria R$ 600 mil em luvas ao atleta durante 2025, em 12 parcelas de R$ 50 mil. No acordo firmado, o salário do jogador foi reajustado: passou a ser de R$ 150 mil em 2025 e, a partir de 2026, passará para R$ 180 mil, enquanto o direito de imagem subiu de R$ 100 mil para R$ 120 mil.

No processo, além de cobrar as dívidas trabalhistas, Bruno Pacheco solicita a rescisão indireta do contrato com o Fortaleza, medida que pode ocorrer caso o clube não cumpra suas obrigações contratuais referentes à remuneração do atleta ou ao direito de imagem por um período igual ou superior a dois meses. O Esportes O POVO entrou em contato com o Leão do Pici, que optou por não se pronunciar no momento.

Assim, caso o pedido seja acatado pelo juiz, o lateral-esquerdo ficaria livre no mercado para assinar, sem custos, com qualquer outro clube. O Fortaleza, por sua vez, teria de arcar com a Cláusula Compensatória Desportiva, que consiste em seguir pagando o salário do jogador até o final do seu contrato — mesmo com ele atuando em outra equipe devido à rescisão indireta.

Para o Tricolor, isso representaria um custo mensal de R$ 180 mil. Ao todo, o montante chegaria a R$ 2.160.000,00. Vale ressaltar que Filipe Rino, advogado de Bruno Pacheco, tem experiência nesse tipo de ação, inclusive em casos no futebol cearense.

Em janeiro de 2023, Filipe Rino moveu uma ação contra o Ceará, à época defendendo o atacante Barletta. O processo foi quase idêntico ao de Bruno Pacheco: cobrança de atraso nos pagamentos e solicitação de rescisão indireta. Em meio ao imbróglio jurídico, a juíza do caso concedeu ao jogador a liberação para assinar com outra equipe enquanto a causa era concluída — ele acertou a ida para o Sport.

Posteriormente, também ao longo de 2023, Filipe Rino esteve à frente de outra ação trabalhista contra o Ceará, desta vez no caso envolvendo o centroavante Zé Roberto. Em ambos os processos, os jogadores tiveram decisões favoráveis na Justiça.

Assim como ocorreu com o Ceará em 2023, que vinha de um rebaixamento e de uma grande crise interna e financeira, o Fortaleza deve ter outros atletas acionando a Justiça do Trabalho para cobrar atrasos. O Esportes O POVO apurou, inclusive, que outro jogador do elenco tricolor moveu uma ação desse tipo contra o clube na véspera do Ano-Novo, no mesmo dia em que Bruno Pacheco iniciou o processo. O nome do atleta ainda é mantido em sigilo.

Os valores cobrados por Bruno Pacheco em detalhe:

  • Salários atrasados (2 meses): R$ 300 mil
  • Auxílio-moradia em atraso (2 meses): R$ 10 mil
  • Direito de imagem em atraso (2 meses): R$ 200 mil
  • Luvas em atraso (4 meses): R$ 200 mil
  • 13º salário integral de 2025: R$ 150 mil
  • Abono das férias gozadas de 2023/2024: R$ 25 mil
  • Férias integrais de 2024/2025, acrescidas do terço constitucional: R$ 200 mil
  • Condenação da Reclamada ao pagamento do FGTS, no valor de R$ 18 mil, além de multa de 40%, no montante de R$ 286.591,82
  • Condenação da Reclamada ao pagamento da multa prevista no artigo 477 da CLT, no valor de R$ 150 mil
  • Condenação da Reclamada ao pagamento da Cláusula Compensatória Desportiva, no valor de R$ 2.160.000,00
  • Condenação da Reclamada ao pagamento das parcelas vincendas do contrato de imagem, no valor de R$ 1.440.000,00
  • Condenação à sucumbência, no valor de R$774.688,77

Valor total da ação: R$ 5.914.280,59


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