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Mozart estreia com vitória no Ceará e esboça padrão tático para a temporada
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Mozart estreia com vitória no Ceará e esboça padrão tático para a temporada

Apesar do pouco tempo de trabalho no Alvinegro de Porangabuçu, o treinador conseguiu implementar algumas ideias de jogo na equipe, algo evidenciado no duelo contra o Maranguape
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Mozart comandou o Ceará contra o Maranguape (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Mozart comandou o Ceará contra o Maranguape

A estreia oficial do técnico Mozart no comando do Ceará aconteceu e, com ela, alguns pontos do seu trabalho puderam ser observados, apesar do ainda curto período em Porangabuçu. Além da importante vitória, que deixou o Vovô com a situação bem encaminhada no Grupo B, a equipe alvinegra apresentou alguns padrões táticos que devem se consolidar ao longo da temporada.

A primeira característica é a importância dos zagueiros na construção do jogo. Diante do Maranguape, o Ceará organizou a saída, em sua grande maioria, com três atletas, sendo os dois defensores e um volante – Zanocelo foi quem cumpriu essa função. Em determinadas ocasiões, Éder e Pedro Gilmar tiveram a responsabilidade de conduzir a bola para atrair a marcação e buscar passes para quebrar linhas.

Outro detalhe da formação tática de Mozart, estabelecida no 4-3-3, foi a função dos meias, pontas e laterais. Em vez de um jogo centralizado, o Vovô mostrou preferência em atacar pelos lados do campo, sobretudo o esquerdo, ocupado por Fernando, Fernandinho e Vina. Por aquele setor, o time conseguiu, no primeiro tempo, criar boas articulações.

Ficou perceptível, também, a mudança de posicionamento de jogadores em relação ao que executava Léo Condé, ex-treinador do Alvinegro. Com Mozart, os laterais não sobem tanto ao ataque — eles servem mais como apoio para o início das jogadas, raramente participando das conclusões das mesmas. Os pontas ficam bem abertos, para dar amplitude e espaçar as linhas defensivas do adversário.

No meio-campo, dois dos três atletas do setor atuam próximos aos pontas, para triangulações e outras interações. No caso do duelo diante do Maranguape, Vina e Lucas Lima cumpriram tal função. O segundo citado, inclusive, teve bastante liberdade para infiltrar na área — não à toa, teve duas ótimas chances para marcar gols, porém sem eficiência nas finalizações.

Defensivamente, até pela diferença de nível técnico em relação ao Maranguape, o Alvinegro foi pouco exigido. Historicamente, em seus trabalhos mais recentes, no Coritiba e no Mirassol, Mozart construiu sistemas que sofreram poucos gols, ideia que deve ser mantida no time cearense quando competições de maior dificuldade forem iniciadas, principalmente a Série B.

Individualmente, o destaque foi Vina. O meia teve participação ativa na primeira etapa do confronto, com alguns ótimos passes que criaram situações claras de gol. No segundo tempo, o camisa 27 foi decisivo ao marcar o tento que garantiu a vitória alvinegra, aos 44 minutos. Após o jogo, o atleta, que tem forte identificação com a torcida, chorou e desabafou — sentimento acumulado pelo final frustrante de 2025.

"Foram momentos difíceis. Todo mundo sabe o carinho e o amor que tenho por esse clube. É o começo de uma nova história. À rapaziada que ficou, aos que chegaram e ao Mozart, que está começando o trabalho dele, que possamos escrever uma grande história. É com dedicação, humildade e com nossa identidade. O que fizermos em campo trará nosso torcedor, que nos apoia bastante. Que possamos fazer uma grande história. Não vou prometer nada, mas o nosso grande objetivo é colocar esse grande clube na Série A", disse Vina.

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