O clima morno de começo de temporada pós-rebaixamento e dos dias que antecederam o confronto se estendeu para o campo no primeiro Clássico-Rei de 2026 e terminou sem gols. Já classificados para a semifinal, Ceará e Fortaleza ficaram no 0 a 0 no Castelão, ontem à noite, pela última rodada da segunda fase do Campeonato Cearense.
Com o resultado, o Alvinegro ampliou para 11 jogos o tabu diante do maior rival no maior duelo do futebol local. São quatro vitórias do Vovô e sete empates neste recorte — o triunfo mais recente do Leão foi em 1º de abril de 2023.
Para o primeiro encontro em 2026, as duas equipes tiveram baixas de última hora. Mozart Santos não pôde contar com Bruno Ferreira e Matheus Araújo, que sofreram lesões durante a semana de treinos e deram lugar a Richard e Fernandinho, respectivamente. Thiago Carpini, por sua vez, perdeu Moisés, vendido ao Santos, e escalou Rodrigo, deixando Bareiro como único atacante.
Pochettino era quem se aproximava do centroavante paraguaio para tentar formar uma dobradinha no ataque, mas com pouco êxito ao longo do jogo. O camisa 9 era acionado para disputar a primeira bola no jogo área e teve sucesso muitas vezes, mas as jogadas não tinham sequência. Na nova estrutura do meio-campo, Lucas Sasha era o volante centralizado, Pierre caía pela direita e Rodrigo aparecia pela esquerda.
Pelo Vovô, Fernandinho e Pedro Henrique tinham a responsabilidade de fechar os espaços nas investidas dos alas Maílton e Lucas Crispim e também puxar os contragolpes. Rafael Ramos era bastante acionado pelo lado direito, insistindo em cruzamentos, mas apenas um com sucesso: aos nove minutos, quando Lucca subiu mais que a zaga tricolor e cabeceou com perigo à direita da meta de Brenno.
Para além disso, a etapa inicial se destacou apenas pelos ânimos exaltados dos dois lados. O clima esquentou logo aos quatro minutos, quando Bareiro deu um chapéu em Zanocelo, foi derrubado e Marcelo de Lima Henrique apontou falta. Mas Pierre e Gilmar se estranharam e deram início a uma troca de empurrões e bate-boca generalizado. Também teve reclamação de suposto pênalti e cobranças por mais cartões — foram cinco no primeiro tempo.
O lance de maior emoção acabou sendo aos 38 minutos, quando Richard recebeu passe na pequena área do Ceará, titubeou no domínio e precisou se livrar da pressão de Bareiro e Pochettino com fintas para tocar a bola e afastar o perigo, testando o coração das torcidas e arrancando aplausos do lado alvinegro das arquibancadas.
Na volta para o segundo tempo, sem mudanças nas equipes, o jogo seguiu morno. Fernandinho fez boa jogada ao se desvencilhar da marcação de Brítez e avançar com a bola, mas pecou na finalização. O zagueiro argentino, minutos depois, arriscou chute de perna esquerda que saiu por cima do gol.
Estreantes no Clássico-Rei, Mozart e Carpini lançaram mão das alterações para dar novo fôlego e também tentar melhorar o rendimento ofensivo. O comandante alvinegro conversava constantemente com os auxiliares na área técnica, enquanto o treinador tricolor acompanhava a partida de maneira mais contemplativa, em alguns momentos de cócoras.
Vitinho estreou pelo Fortaleza, a exemplo do jovem lateral-esquerdo Guilherme, oriundo das categorias de base, mas as mexidas — também entraram Lucca Prior, Ronald e Luan Freitas — não conseguiram dar volume ofensivo à equipe. Juan Alano, Matheusinho, Richardson, Melk e o também estreante Júlio César entraram no Ceará, que se postou no campo de ataque nos minutos finais e teve a última chance de gol, com finalização de Richardson da entrada da área.
Mas, no fim das contas, o placar zerado fez jus ao Clássico-Rei morno — que terminou entre algumas vaias e tímidos aplausos. O Manjadinho agora entra nas semifinais, em que o Vovô vai enfrentar o Floresta, e o Leão vai pegar o Ferroviário. Os jogos de ida já serão no próximo fim de semana, em meio ao Carnaval.
Ceará
4-3-3: Richard; Rafael Ramos (Júlio César), Eder, Gilmar e Fernando; Lucas Lima (Melk), Zanocelo e Vina; Pedro Henrique (Matheusinho), Lucca (Richardson) e Fernandinho (Juan Alano). Téc: Mozart
Fortaleza
3-6-1: Brenno; Brítez (Luan Freitas), Lucas Gazal e Cardona; Mailton, Rodrigo (Vitinho), Lucas Sasha, Pierre (Ronald), Pochettino (Guilherme) e Lucas Crispim (Lucca Prior); Bareiro. Téc: Thiago Carpini
Local: Arena Castelão, em Fortaleza (CE)
Data: 8/2/2026
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique
Assistentes: Nailton Oliveira e Renan Aguiar
Cartões amarelos: Rafael Ramos, Gilmar e Zanocelo (CEA); Pierre, Brítez, Lucas Gazal e Bareiro (FOR)
Público e renda: