Os alimentos ultraprocessados enganam os dispositivos do sistema digestivo e do cérebro responsáveis por regular o balanço de calorias, conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Governo Federal. Fazem com que a sinalização de saciedade após o seu consumo não aconteça ou aconteça de forma tardia. Por isso, um dos maiores problemas desses alimentos é que eles sejam vistos da mesma forma que os não processados.
Porém, ainda não há uma classificação precisa para quais alimentos são ou não ultraprocessados. Com isso, de acordo com a professora do Instituto de Nutrição da UERJ, Daniela Canella, responsável pela pesquisa, é comum que pesquisadores que integram a indústria de alimentos por vezes aleguem que o conceito de ultraprocessados não deveria ser usado em políticas públicas em recomendações nutricionais.
A proposta da pesquisa, que teve início em 2017, é aplicar o que se sabe teoricamente sobre alimentos ultraprocessados a dados de rótulos de alimentos, coletados em parceria pela USP e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, nas maiores redes de supermercados do País.
Daniela acredita que a análise possa auxiliar a população bem como os tomadores de decisões na elaboração de políticas públicas. Um exemplo é a aplicação da lei, de julho deste ano, que proíbe comidas e alimentos ultraprocessados nas escolas da capital do Rio de Janeiro. "Para as pessoas que trabalham nas escolas, é importante que elas tenham informação sobre o que são os ultraprocessados para que não comercializem esses alimentos", diz.