"A diferença na liberação de fluoreto entre os cremes dentais disponíveis no mercado pode ser explicada principalmente pela formulação do produto, e não apenas pela quantidade total de flúor declarada no rótulo", avalia a doutora em Clínica Odontológica, Cecília Atem.
O estudo proposto pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba sobre a presença do fluoreto ao escovar os dentes evidencia que o flúor precisa estar quimicamente disponível e fisicamente liberável durante a escovação para conseguir exercer o efeito anticárie.
"Um dos aspectos centrais é o tipo de composto fluoretado utilizado. Dentifrícios formulados com fluoreto de sódio tendem a liberar o flúor de forma mais imediata, enquanto aqueles que utilizam monofluorfosfato de sódio dependem de reações químicas e enzimáticas para liberar o íon fluoreto ativo", explica a professora.
Outro efeito se relaciona com a interação do flúor com os abrasivos da fórmula. Alguns abrasivos à base de cálcio, por exemplo, podem reagir com o flúor e formar compostos menos solúveis, o que reduz a fração disponível durante a escovação.
O comportamento físico do creme dental também deve ser considerado, incluindo a viscosidade e a resposta ao atrito da escova. Além disso, as condições de diluição durante o uso variam conforme a formulação.
"Cremes dentais que se dispersam mais facilmente em água e saliva tendem a disponibilizar o flúor de maneira mais rápida e homogênea. Já produtos mais espessos ou estruturalmente estáveis podem liberar o flúor de forma mais lenta ou incompleta", diz.