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A imagem arranhada ganha o mundo

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Presidente Jair Bolsonaro (Foto: EVARISTO SA / AFP)
Foto: EVARISTO SA / AFP Presidente Jair Bolsonaro

QUAL O TAMANHO de uma catástrofe e como é possível mensurá-la? Do aspecto ambiental, o aumento das queimadas na Amazônia leva à necessidade de cálculos que precisam a todo momento de atualização. Tanto para números de área devastada quanto para consequências que o desmatamento gera para o bioma como um todo. Por mais que o governo desdenhe dos dados de órgãos como o Inpe ou de ONGs que trabalham com a temática, as estatísticas mostram objetivamente a dimensão da tragédia.

Do ponto de vista simbólico, no mundo atual, declarações fortes de líderes globais e alertas feitos por celebridades que agregam centenas de milhões de seguidores nas redes sociais ajudam a compreender como o mundo vê o problema. O aumento das queimadas na Amazônia foi destacado nos principais jornais e gerou discursos contundentes de preocupação, como os da chanceler alemã Angela Merkel, do papa Francisco e do presidente francês Emmanuel Macron, anfitrião do encontro do G7 que começou ontem e que já colocou a crise ambiental brasileira em pauta.

Os que não acompanham com maior atenção o debate sobre a questão ambiental ou o noticiário político, podem ser sensibilizados pela recente tragédia amazônica por meio de postagens nas redes sociais como as da modelo Gisele Bündchen, ou do jogador Cristiano Ronaldo. Esse último com 180 milhões de seguidores só no Instagram.

O governo adota tom reativo ao ser confrontado. O presidente Jair Bolsonaro distribui falsas informações de que ONGs são responsáveis pelos incêndios. Ou trata as críticas de Macron como ameaças à soberania nacional. Contudo, os efeitos da devastação não têm passaporte, tampouco respeitam fronteiras. Elas impactam em todo o planeta. Como na vizinha Guiana, território ultramarino francês.

Os erros do governo brasileiro não se restringem à política ambiental inconsequente. A falha do presidente reside também na imagem que ele leva do País para o mundo. Se mostrar como a face do antiambientalismo isola Bolsonaro e restringe seu apoio apenas ao reduto do bolsonarismo. Isso pode resultar em efeitos econômicos significativos como sanções internacionais ou o não fechamento do acordo União Europeia-Mercosul. Resta saber se o governo brasileiro saberá dimensionar ou lidar com o tamanho desses problemas.

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