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Coronavírus se espalha por Fortaleza

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O IJF possui 30 leitos de UTI (Foto: AURELIO ALVES)
Foto: AURELIO ALVES O IJF possui 30 leitos de UTI

SAÚDE Principal autoridade sanitária do País, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta manifestou preocupação especial com algumas cidades brasileiras ante a explosão de casos de Covid-19, que já matou 1.124 pessoas no País e infectou mais de 20 mil. Fortaleza é uma delas. Com 1.457 diagnósticos positivos para a doença até agora, a metrópole concentra 58 dos 74 óbitos registrados no Estado desde o dia 15 de março, quando três pessoas testadas começaram a desenhar a curva de contaminações. Era o início da escalada do novo coronavírus. De lá para cá, o Ceará disparou em números de acometidos pela enfermidade. Dentro desse movimento, a capital cearense assumiu a dianteira nos índices de infestação da pandemia.

Proporcionalmente, superou São Paulo e Rio de Janeiro, muito mais adensadas. Não são dados triviais. Convém olhar de perto a sua progressão e entender as razões pelas quais a Capital passou a ocupar esse posto, a despeito dos esforços do poder público. De acordo com informações de Governo e Prefeitura, o vírus se fixou em três bairros fortalezenses com alto poder aquisitivo a partir da primeira quinzena de março. Dali, partiu para adoecer habitantes em quase toda a extensão territorial, chegando rapidamente às periferias. Hoje, lugares como Vicente Pinzón e Pirambu correm o risco de se tornar grande foco de contágio, deslocando o eixo da Covid-19. O mapa da patologia, portanto, está em franca expansão, neste momento estendendo-se a territórios mais vulneráveis e cuja população tampouco tem condições de zelar por si da mesma forma que Aldeota, Meireles, Papicu e Cocó, onde moradores podem se permitir isolamento social pelo tempo que for necessário. Esse é o maior desafio. Primeiro, o de resguardar econômica e socialmente os mais pobres.

Segundo, conter o avanço de uma pandemia que acentua desigualdades, expondo os fossos nos quais uma mesma cidade está dividida. A corrida agora é para salvar vidas de quem sofre duplamente: com o desemprego e a falta de recursos diante da suspensão compulsória dos negócios; e com um inimigo que ganha terreno silenciosamente.

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