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A tragédia dos números da Covid-19 no Brasil

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Pandemia Após recordes seguidos nos registros de mortes por Covid-19 no Brasil, o governo do presidente Jair Bolsonaro passou a omitir os números que o País acumula desde o início da pandemia. Desde ontem, a plataforma oficial criada para dar transparência à situação epidemiológica apresenta uma versão resumida. Constam apenas números de recuperados, óbitos e casos confirmados nas últimas 24 horas. Sequer os dados por Estados estão publicados, há uma divisão por região.

Com militares ocupando os mais importantes cargos do Ministério da Saúde, a pasta escolhe como estratégia camuflar e não combater a tragédia. O novo coronavírus já matou pelo menos 35.456 e infectou 659.114 pessoas no País. Ultrapassamos na semana a Itália em número de óbitos. Agora, estamos atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido. Com a diferença de que, aqui, ainda não atingimos o pico da pandemia. Em número de casos, estamos em segundo lugar, atrás dos EUA, como mostra o painel da universidade Johns Hopkins. Aliás, mostrava. A instituição, referência global no balanço dos impactos da Covid-19, excluiu no fim da tarde deste sábado as estatísticas referentes ao Brasil, por falta de informações oficiais.

Fosse pouca a crise sanitária e o sumiço dos dados, o governo foi além. Carlos Wizard, novo secretário da Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, anunciou uma recontagem dos mortos. Ao contrário da subnotificação apontada em coro por especialistas, ele duvida do efeito devastador da doença que assola o mundo desde janeiro. Em um só tempo, cria mais uma polêmica ao gosto bolsonarista e lança dúvidas sobre os gestores públicos, que estariam inflando números para conseguir mais orçamento, aliados numa trama internacional contra o sucesso do atual governo.

A real dimensão do problema é fundamental na elaboração de políticas públicas de combate e prevenção da doença. Mas "e, daí?". O Brasil sequer tem um gestor nomeado para a pasta da Saúde.

 

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