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Covid está mais grave e restrições mais frouxas

|SEGUNDO ESTUDO DO IPEA|
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A segunda onda da pandemia de covid-19 no Brasil tem sido mais grave do que a primeira, mas as medidas de restrição adotadas neste ano foram tardias e bem menos rígidas do que em 2020, aponta nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada ontem. O trabalho afirma que houve redução média de 25% no valor do Índice de Medidas Legais de Distanciamento Social nos Estados.

O texto sugere que a esse recuo contribuiu para o agravamento da epidemia no País. O levantamento comparou as medidas adotadas nos meses de abril de 2020 e março de 2021 em 22 das 27 unidades federativas do País. Comparando o número de óbitos, por exemplo, março deste ano foi onze vezes mais letal do que abril do ano passado (62.704 contra 5.700). As medidas de restrição adotadas, porém, foram bem menos rígidas.

O trabalho mostrou também que, na segunda onda, a maior parte dos Estados adotou medidas de distanciamento social tardiamente, depois que o número de casos já estava em ascensão. No ano passado, as medidas foram adotadas de forma antecipada e, talvez por isso mesmo, a onda tenha sido menos intensa.

O caso mais emblemático, destaca o estudo, é o do Amazonas. "O número de casos no Amazonas estava subindo, os cientistas já recomendavam medidas mais rígidas e, mesmo assim, elas só foram adotadas como último recurso, quando a situação já havia chegado a um nível crítico, em janeiro", lembrou Fracalossi. "E mesmo depois de isso ter acontecido no Amazonas, as medidas também foram adotadas tardiamente no restante do País."

O estudo recomenda ainda a necessidade de adoção de critérios objetivos, transparentes e abrangentes para o enrijecimento ou o relaxamento das medidas, como se observou, por exemplo, nos estados do Rio Grande Sul e São Paulo. De acordo com o pesquisador, a existência desses critérios torna menos provável a influência de pressões contrárias ao distanciamento social, como ocorreu no Amazonas. (AE)

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