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Evento discute gestão de recursos naturais entre Brasil e África

Promovido pelo Instituto Brasil África, o evento contou com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades de ambos continentes
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Mesa contou com participação da jornalista do O POVO Catalina Leite (Foto: Reprodução/Ibraf)
Foto: Reprodução/Ibraf Mesa contou com participação da jornalista do O POVO Catalina Leite

Líderes brasileiros e africanos se reúnem na nona edição do Fórum Brasil África, nesta terça, 23, e quarta-feira, 24, para discutir questões ligadas ao uso dos recursos naturais na busca pelo desenvolvimento econômico, assim como à sustentabilidade e às ações de enfrentamento às mudanças climáticas. O evento, promovido pelo Instituto Brasil África, serve como ponte para conectar os representantes dos setores público e privado, compartilhando informações sobre práticas e políticas bem sucedidas entre as nações. O POVO esteve presente em mesa sobre indústria do minério.

O professor João Bosco Monte, presidente do Instituto Brasil África, diz que o fórum surgiu a partir da necessidade de encontros entre as nações, com cooperação mútua para debate de expectativas e soluções para os problemas enfrentados. Nesta edição, ele explica que a gestão dos recursos naturais está inserida na agenda global e os países precisam se reunir para buscar ações pró-ativas.

Monte citou o exemplo da economia de Guiné-Bissau, como possibilidade de mudanças para um maior desenvolvimento econômico. “O país tem quase 90% da economia baseada na venda de castanha de caju, mas não agrega valor ao produto. A castanha sai de Guiné-Bissau in natura e vai para um determinado local, onde é processada e termina sendo comercializada por um preço maior”, pondera.

Presente no evento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou do papel que a África teve na diplomacia nacional e espera que o continente se torne sinônimo de prosperidade e qualidade de vida. “Tínhamos uma decisão política de nos aproximar do continente africano. Espero que a gente possa fazer muito mais, fico imaginando quantas vezes a gente poderia ajudar a África a se desenvolver mais. O Brasil tem uma tarefa e uma dívida com o continente africano”, aponta.

Atualmente, no entanto, João Bosco Monte aponta que o governo brasileiro está mais “alheio” com as relações diplomáticas com a África e o evento apresenta-se como oportunidade para animar o debate entre as nações. “O Fórum Brasil África é um evento que traz autoridades do Brasil, da África e do mundo para apontar possibilidades concretas. O que nós discutimos no encontro, precisa se transformar em ações”, enfatiza.

Além de Lula, o evento conta com a presença de personalidades como o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o coordenador do Hub de Hidrogênio Verde do Ceará, Constantino Junior, o ex-presidente de Gana, John Kufuor, o ex-primeiro ministro da Etiópia, Hailemariam Dessalegn, e o ex-primeiro Ministro do Benim, Lionel Zinsou.

Mesa de abertura discute questões ligadas à gestão de recursos naturais no setor da mineração

Questões ligadas ao uso dos recursos naturais na busca pelo desenvolvimento econômico, com destaque para o setor de mineração, um dos principais recursos naturais do continente africano, foram discutidas em sessão nesta quarta-feira. A mesa de 50 minutos discutiu o papel da indústria de minérios na busca por alternativas sustentáveis ambiental e socialmente.

De acordo com o relatório Global Resourcers Outlook 2019, da Organização Mundial da Nações Unidas (ONU), a indústria de minério é responsável por 10% das emissões humanas de gases de efeito estufa. Além disso, está diretamente relacionada à degradação do solo e contaminação de água potável (pelo uso de componentes químicos, como mercúrio) e à quebra de direitos humanos das comunidades locais e populações indígenas.

Participante da mesa, o CEO da SouthBridge Group, Andrew Alli, exemplifica como por 50 anos a indústria do minério acreditava que somente o uso de mercúrio possibilitava a mineração de ouro. O químico, no entanto, é tóxico - muitas mulheres sofrem abortos ou têm filhos com malformações em decorrência da presença do mercúrio na comida e água digeridas.

A jornalista do O POVO Catalina Leite, que mediou a sessão, defende a importância do evento ao apresentar o Brasil e a África como regiões de potencial inovativo e tecnológico. “Colocar isso do ponto de vista do Brasil e dos países africanos é dar uma ‘virada de chave’. O poder da discussão e interpretação deixa de estar nas mãos de países que foram os colonizadores e passa para aqueles que enfrentam as mazelas desse processo histórico”, argumenta.

João Paulo Alves, coordenador de projetos do Instituto Brasil África, explica que o fórum é a única instância brasileira, fora do Itamaraty, que trata das relações Brasil-África. “O grande propósito do encontro é criar uma agenda, já que atualmente não existe um consenso do que deve ser tratado entre as nações”, argumenta, acrescentando que um dos focos do evento também é trazer informação de qualidade para o público em geral.

Serviço

O que: 9° edição do Fórum Brasil África
Quando: nos dias 23 e 24/11
Onde: no canal do Youtube do Instituto
Programação: por meio do site oficial do evento
Acesso gratuito

(Colaborou: Catalina Leite)

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