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Julgamento de 4 réus do caso boate Kiss começa no RS
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Julgamento de 4 réus do caso boate Kiss começa no RS

Estão no banco dos réus os dois sócios da Kiss, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, além do músico Marcelo de Jesus dos Santos e do produtor Luciano Bonilha
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LUCIANO Bonilha foi produtor da festa e é réu (Foto: SILVIO AVILA / AFP )
Foto: SILVIO AVILA / AFP LUCIANO Bonilha foi produtor da festa e é réu

Começou na manhã de ontem, em Porto Alegre, o julgamento de quatro réus do caso Boate Kiss. Eles respondem pela morte de 242 pessoas no incêndio que também deixou 636 feridos em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013. Os trabalhos tiveram início com a escolha dos sete jurados que ao fim do julgamento deverão proferir o veredicto sobre o caso. Na chegada ao tribunal, um dos réus disse não ser "assassino".

Ontem ocorreu também o início dos depoimentos de sobreviventes do incêndio sobre as circunstâncias em que as chamas começaram e como o fogo se propagou na casa noturna após o uso de materiais pirotécnicos pelo grupo musical que se apresentava na ocasião. Ao todo, 14 sobreviventes devem depor no Foro Central de Porto Alegre, onde também serão ouvidas 19 testemunhas listadas pelo Ministério Público Estadual e pela defesa.

Estão no banco dos réus os dois sócios da Kiss, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, além do músico Marcelo de Jesus dos Santos e do produtor Luciano Bonilha. Todos eles são acusados pelas mortes na boate. O júri é presidido pelo juiz Orlando Faccini Neto.

Uma pessoa passa por um banner com as fotos das 242 pessoas que morreram no incêndio de 2013 na boate Kiss, durante um julgamento contra o acusado, em Porto Alegre, Brasil, em 1º de dezembro de 2021. Quatro homens são acusados no caso de um incêndio em 2013 que atingiu uma boate em Santa Maria, no sul do Brasil, matando 242 pessoas e ferindo 636.
Uma pessoa passa por um banner com as fotos das 242 pessoas que morreram no incêndio de 2013 na boate Kiss, durante um julgamento contra o acusado, em Porto Alegre, Brasil, em 1º de dezembro de 2021. Quatro homens são acusados no caso de um incêndio em 2013 que atingiu uma boate em Santa Maria, no sul do Brasil, matando 242 pessoas e ferindo 636. (Foto: SILVIO AVILA / AFP )

GRITO DO RÉU

Dos quatro réus, o produtor da banda, Luciano Bonilha, foi o único a entrar no prédio do Foro Central pela entrada principal. Ele não chegou a responder perguntas de repórteres, mas perto da porta, gritou: "Eu não sou um assassino". Dentro do prédio, ele passou mal. Os outros três réus utilizaram uma entrada pelos fundos do prédio.

O fogo na madrugada de 27 de janeiro começou no palco, quando a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador durante a sua apresentação. As chamas do artefato atingiram a espuma de isolamento acústico que revestia o teto e rapidamente se espalharam. Na ocasião, a Kiss recebia uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Uma das estudantes era Fernanda Brandão Malheiros, na época com 18 anos. Ela estava no fim do primeiro semestre de Agronomia. Natural de Ijuí, tinha saído havia pouco tempo de casa. Ontem, o pai da jovem, Jorge Luis Brandão Malheiros, chegou sozinho ao Fórum, com semblante abatido. "Está faltando gente (no banco dos réus), e hoje nós teremos um júri parcial", afirmou ele.

Sobrevivente do incêndio de 2013 na boate Kiss, comparece ao julgamento do acusado no caso, em Porto Alegre, Brasil, em 1º de dezembro de 2021. Quatro homens são acusados no caso de um incêndio em 2013 que atingiu uma boate em Santa Maria, sul do Brasil, matando 242 pessoas e ferindo 636.
Sobrevivente do incêndio de 2013 na boate Kiss, comparece ao julgamento do acusado no caso, em Porto Alegre, Brasil, em 1º de dezembro de 2021. Quatro homens são acusados no caso de um incêndio em 2013 que atingiu uma boate em Santa Maria, sul do Brasil, matando 242 pessoas e ferindo 636. (Foto: SILVIO AVILA / AFP )

AUTORIDADES

A cobrança de Jorge é pela falta de autoridades indiciadas. Na avaliação do pai de Fernanda, o Ministério Público do Rio Grande do Sul acabou protegendo as autoridades que deveriam ser responsabilizadas pela tragédia. "A Polícia Civil fez um trabalho sério, apontou todos que devia apontar. Mas o Ministério Público não entendeu dessa forma. Na minha opinião, a partir do momento em que retirou do processo as autoridades apontadas no inquérito, ele absolveu essas autoridades."

O Ministério Público do Rio Grande do Sul é representado no tribunal pelos promotores Lúcia Helena Callegari e Davi Medina. O julgamento está sendo transmitido pelo canal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS) no YouTube.

Apesar do julgamento, durante o dia de ontem o clima no Foro de Porto Alegre foi de pouca movimentação. Os familiares de vítimas foram chegando aos poucos. Um grupo de pessoas vindas de Santa Maria está hospedado na capital gaúcha para acompanhar todo julgamento.

O juiz brasileiro Orlando Faccini Neto gesticula durante o julgamento de quatro acusados no caso da boate Kiss, em Porto Alegre, Brasil, em 1º de dezembro de 2021. Um incêndio varreu uma boate em Santa Maria, sul do Brasil, matando 242 pessoas e ferindo 636 em 2013.
O juiz brasileiro Orlando Faccini Neto gesticula durante o julgamento de quatro acusados no caso da boate Kiss, em Porto Alegre, Brasil, em 1º de dezembro de 2021. Um incêndio varreu uma boate em Santa Maria, sul do Brasil, matando 242 pessoas e ferindo 636 em 2013. (Foto: SILVIO AVILA / AFP )

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