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Terremoto mata mais de mil afegãos; isolamento do país dificulta resgate

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Uma criança afegã é tratada dentro de um hospital na cidade de Sharan depois de se ferir em um terremoto no distrito de Gayan, província de Paktika, em 22 de junho de 2022.
 (Foto: Ahmad SAHEL ARMAN / AFP)
Foto: Ahmad SAHEL ARMAN / AFP Uma criança afegã é tratada dentro de um hospital na cidade de Sharan depois de se ferir em um terremoto no distrito de Gayan, província de Paktika, em 22 de junho de 2022.

O mais letal terremoto em décadas matou ontem pelo menos mil pessoas no Afeganistão. O tremor de magnitude 5,9, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, ocorreu em uma região rural e montanhosa do leste do país durante a madrugada, deixando pelo menos 1,6 mil pessoas feridas

O terremoto se soma a uma grave crise humanitária acentuada pelo isolamento econômico do Afeganistão desde a tomada de Cabul pelo grupo extremista Taleban, após a retirada atabalhoada das tropas americanas, em agosto do ano passado.

Por isso, o desastre representa um grande teste para o governo do Taleban, já que a maioria dos países ocidentais cortou o fluxo de ajuda humanitária ao Afeganistão após a tomada do poder pelo grupo extremista. Depois da retirada caótica dos militares dos EUA da guerra mais longa de sua história, o país mergulhou em uma profunda crise econômica, com milhões de pessoas em risco de fome extrema.

Vítimas

Segundo a ONU, o número de vítimas do terremoto de ontem deve provavelmente aumentar nos próximos dias, porque abalos dessa magnitude causam danos graves em áreas remotas, onde casas e outros edifícios são mal construídos e deslizamentos de terra são comuns. Os esforços de resgates ainda enfrentam as dificuldades causadas pela chuva e pelos ventos intensos, disse o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

"As estradas são ruins, mesmo nos melhores momentos. Então, a implementação de uma operação humanitária será imediatamente desafiada pela falta de acesso fácil à área", disse Loretta Hieber Girardet, do escritório de redução de risco de desastres da ONU, acrescentando que a chuva combinada com o tremor criou um risco adicional de deslizamentos de terra para os trabalhadores humanitários.

O Departamento Meteorológico do Paquistão informou ontem que o epicentro do terremoto foi na Província de Paktika, no Afeganistão, cerca de 50 quilômetros a sudoeste da cidade afegã de Khost. Edifícios, muitos deles feitos de barro, foram destruídos na região. Segundo o Serviço Geológico dos EUA, a profundidade do tremor foi de apenas 10 quilômetros - outro fator que pode aumentar os danos.

Tremores secundários foram sentidos na Índia e em Islamabad, capital do Paquistão, e na capital da Província de Peshawar, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento Sísmico do Paquistão, mas nenhum dano grave ou vítimas foram relatados.

Hospitais

"Quase todos os hospitais públicos e privados estão cheios de vítimas", disse Awal Khan Zadran, médico do distrito de Urgun, em Paktika. Alguns dos feridos foram levados para Cabul, de helicópteros, e outros foram transportados para as províncias vizinhas", disse.

O governo do Afeganistão falou ontem em risco de desastre humanitário. "Pedimos às agências de ajuda que proporcionem assistência imediata às vítimas do terremoto para evitar um desastre humanitário", afirmou o vice-porta-voz do governo, Bilal Karimi. Ele indicou que várias casas foram destruídas e muitas pessoas estão presas nos destroços.

Maulawi Sharafuddin Muslim, vice-ministro interino da autoridade de gestão de desastres do Taleban, disse que "algumas aldeias foram completamente destruídas". Segundo ele, uma reunião de emergência do gabinete foi convocada e o primeiro-ministro do Afeganistão, Hasan Akhund, está liderando a resposta, trabalhando com instituições estatais e ministérios para coordenar os esforços de resgate e socorro.

O governo afegão pretende alocar cerca de US$ 11 milhões em ajuda, de acordo com Muslim, com aproximadamente US$ 1.000 para as famílias dos mortos e US$ 500 para os feridos. Em entrevista em Nova York, Ramiz Alakbarov, coordenador da ONU no Afeganistão, disse que a organização destinou US$ 15 milhões para os esforços de resgate.

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