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Justiça decreta prisão de procurador que agrediu procuradora-geral em São Paulo

Demétrius já havia sido ouvido pela Polícia Civil e liberado em seguida
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Procuradora-geral de Registro (SP) Gabriela Samadello Monteiro de Barros durante agressão pelo colega de trabalho (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução Procuradora-geral de Registro (SP) Gabriela Samadello Monteiro de Barros durante agressão pelo colega de trabalho

A Justiça de São Paulo decretou nesta quarta, 22, a prisão preventiva do procurador municipal de Registro, no Vale do Ribeira, Demétrius Oliveira de Macedo, que espancou a chefe dentro da prefeitura. Ele foi suspenso por 30 dias após o episódio. A decisão é do juiz Raphael Ernane Neves, da 1.ª Vara da Comarca de Registro, que atendeu a um pedido da Polícia Civil.

As agressões ocorreram na segunda-feira, 20, e foram registradas em vídeo. A vítima é a procuradora-geral da cidade, Gabriela Samadello Monteiro de Barros. Xingada, agredida com socos, empurrões, cotoveladas e empurrões, ela vê as agressões que viveu como mais um exemplo do machismo ainda vigente no País. A reportagem, disse aguardar a prisão preventiva. "Eu me sinto muito insegura e realmente preciso dessa segurança para poder seguir minha rotina, o meu cotidiano", afirmou.

A procuradora ficou com vários ferimentos pelo corpo, especialmente no rosto. Ela acredita que as agressões foram motivadas por ter aberto uma proposta de procedimento administrativo contra Macedo, após ser procurada por uma funcionária sobre atitudes hostis. Horas antes do episódio de violência, uma publicação do Diário Oficial determinou a apuração. Diante da repercussão, Gabriela se vê como exceção no País. "Estou sendo muito 'privilegiada'. Muitas mulheres viram só estatística. Estou podendo mostrar que as instituições podem fazer valer a lei", disse. "A gente está lutando para que isso aconteça, para que se crie uma cultura (de combate à violência)".

Ela considera que o caso que viveu é sintomático de uma sociedade que considera ainda ser patriarcal. "No meu caso, dá para ver claramente uma pessoa machista, que não aceitava ordem de mulher. Ele tentou me subjugar (durante a agressão), me menosprezar pela minha condição, pela minha compleição física, pela diferença de tamanho. Isso não pode acontecer: as pessoas têm de estar ombreadas, não uma acima da outra, uma menor que a outra, ainda mais em um ambiente de trabalho", afirma. "A mulher tem de conquistar o seu espaço no trabalho, na sociedade, e gente tem de lutar para que isso aconteça."

Ambos trabalhavam juntos desde 2013. Segundo a procuradora, Macedo já havia deixado evidente a insatisfação com a ascensão de mulheres. "A forma de comunicação não formal dele era violenta, de ignorar, de negligenciar as necessidades e a rotina da gente".

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), anunciou o pedido de prisão nas redes sociais. "A agressão do procurador de Registro a uma colega não ficará impune. A Polícia Civil acaba de pedir a prisão do agressor Demétrius Macedo. Que a Justiça faça a sua parte e puna todo e qualquer covarde que agrida uma mulher", publicou.

Amigos e conhecidos de Macedo disseram que ele teve uma grande mudança de comportamento depois que perdeu o pai, a quem era muito ligado, há pouco mais de um ano. "Não tenho certeza se a morte foi por covid, mas parece que sim. O fato é que ficou muito fechado, introspectivo", contou um amigo, que pediu para não ser identificado. Outro colega, da época de faculdade, disse que se tratava de um estudante aplicado e muito ligado à família Conforme o site Jusbrasil, Demetrius já atuou em 1.189 processos.

A ex-prefeita de Registro, Sandra Kennedy (PT), relata que Demetrius foi o primeiro procurador concursado do município. "Logo começou a pressionar para ser o secretário de Assuntos Jurídicos. Como eu não cedi à pressão, ele passou a atuar em meu desfavor."

 

Pedido de prisão

O delegado Daniel Vaz Rocha, do 1.º DP de Registro, solicitou a prisão, usando os vídeos da agressão e o depoimento da procuradora-geral. "A agressão do procurador de Registro a uma colega não ficará impune", disse o governador Rodrigo Garcia (PSDB) nas redes sociais. A prefeitura já havia suspenso o agressor sem vencimentos e a Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, anunciou processo para suspensão preventiva do exercício da advocacia.

Em nota, a prefeitura manifestou "o mais absoluto e profundo repúdio aos brutais atos de violência realizados pelo procurador municipal contra a servidora". "A administração municipal está tomando as providências necessárias", destacou. "Os servidores da Procuradoria Geral Municipal e da Secretaria de Negócios Jurídicos receberão todo apoio necessário, inclusive acompanhamento psicológico."

 

 

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