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Artista francês Saype homenageia vítimas de Brumadinho em obra gigante
Farol

Artista francês Saype homenageia vítimas de Brumadinho em obra gigante

O artista francês Saype desembarcou em Brumadinho, Minas Gerais, para mais uma parada do projeto 'Além dos Muros'. A obra mostra mãos entrelaçadas, um símbolo de união que vem viajando por todo o mundo.
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 Vista aérea da obra de arte do artista francês Saype, em dimensões gigantescas, que homenageia as vítimas e os atingidos pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão da mineradora Vale no campo de futebol do Córrego do Feijão, em Brumadinho, estado de Minas Gerais, Brasil (Foto: Saype/AFP)
Foto: Saype/AFP Vista aérea da obra de arte do artista francês Saype, em dimensões gigantescas, que homenageia as vítimas e os atingidos pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão da mineradora Vale no campo de futebol do Córrego do Feijão, em Brumadinho, estado de Minas Gerais, Brasil

Mostar a importância da união entre as pessoas de todo o mundo. Este é o principal objetivo do projeto 'Além dos Muros' do artista francês Saype. Em visita ao Brasil, Brumadinho entrou para a lista de cidades que receberam as famosas mãos entrelaçadas, que já foram estampadas em diferentes partes do mundo.

"Neste projeto chamado Além dos Muros, a ideia é simbolicamente criar a maior corrente humana do mundo pintando mãos entrelaçadas como está para falar sobre a importância de encontrar soluções comuns para os diferentes problemas que enfrentamos, porque acho que estamos em um mundo hiperconectado e a única solução é trabalharmos juntos para resolver os problemas que podemos ter", explica Saype.

A obra na cidade onde uma barragem da Vale se rompeu em 2019 provocando mortes e um enorme desastre ambiental é uma maneira de homenagear as vítimas, parentes e sobreviventes, além de colocar em debate os impactos e tragédias da indústria de mineração.

"O desastre que aconteceu em 2019 em que 272 pessoas foram soterradas após uma barragem se romper, acho que é catastrófico. Então a primeira coisa é dar voz às pessoas que perderam seus entes queridos. Mas também, é dizer que esse é um problema do qual não ouvimos muito, e que há muitas questões sociais e ambientais envolvidas", diz o artista.

"Hoje mesmo com a dor que a gente revive é um momento diferente, é um momento que traz acalento, um momento que traz força, porque através de uma obra de arte tão perfeita, mãos entrelaçadas, e até hoje nenhuma mão soltou da outra nessa luta por justiça, por encontro das vítimas e para que haja punição, para que uma tragédia, um crime como esse, não se repita", projeta Flávia Aparecida, parente de uma das vítimas do desastres.

A obra gigantesca tem prazo de validade definido. Ela foi pintada com tinta 100% biodegradável, feita pelo próprio artista, desaparecendo gradualmente conforme a chuva cai e a vegetação cresce. "No final, são obras que vão ser gigantescas, que muitas vezes deixam uma marca, mas que são efêmeras, então não deixam rastros. A ideia é deixar algo sutil na memória coletiva", comenta o artista.

O projeto 'Além dos Muros' começou em Paris em frente à Torre Eiffel e, ao longo de vários anos, viajou por lugares como a pequena vila de Ganvié, no Benin, Yamussucro, capital da Costa do Marfim, e Istambul, na Turquia. A meta traçada é completar 30 cidades até 2023.

 

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