O amor pelos animais e o interesse pela fotografia foram entrelaçados pela cearense Amanda Teixeira e se tornaram vetores de felicidade para inúmeras famílias. Natural de Fortaleza, ela atravessou o Atlântico aos 15 anos e se fixou em Portugal, onde abriu um estúdio fotográfico voltado aos bichos.
Já tendo registrado mais de mil animais através das lentes, Amanda descreve o seu trabalho como prazeroso e afirma que sente-se alegre quando famílias buscam o seu estúdio para eternizar momentos com os próprios bichinhos.
Ao O POVO, Amanda aponta as dificuldades suplantadas para o estabelecimento do espaço e afirma que a fotografia possibilitou-lhe estreitar laços com os animais.
O POVO: Como surgiu o interesse em fotografar animais?
Amanda Teixeira: Bem, eu ainda estava no último ano da faculdade quando comprei um kit de iluminação. Muito, muito barato. Tinha três luzes e tripés. Comecei, então, a fotografar o meu cachorro Boris em casa. Isso foi em 2014. Na época, já existiam fotógrafos de animais, principalmente na Alemanha. Comecei a publicar as fotos do Boris no Facebook. Muitas pessoas gostaram. Foi quando, após o apoio da minha mãe e da minha avó, decidi (me) arriscar nesse novo tipo de trabalho.
Abri o estúdio em setembro de 2015. Não tenho conhecimento de outras pessoas fazendo esse trabalho naquela ocasião. O mercado pet não era nada parecido com o de hoje. De início, foi muito difícil. Porém, com muito esforço e comunicação, mostramos aos clientes em potencial a qualidade do nosso serviço.
O POVO: De que forma a sua relação com estes animais é transmitida para o seu trabalho?
Amanda: A fotografia foi um meio para eu conseguir chegar até os animais. Gosto bastante de bicho. A fotografia sempre esteve presente na minha vida, mas não foi a minha maior paixão. Considero o momento da sessão como incrível, maravilhoso. Adora estar com os animais, entender como eles se comportam. É realmente incrível. Como já fotografei mais de mil bichos, consigo identificar um padrão nos seus comportamentos. Tenho essa leitura com os cães, principalmente. Busco dar uma experiência muito boa para todos eles.
O POVO: Quais os seus maiores objetivos ao realizar as fotografias?
Amanda: O meu maior objetivo é estar com os animais. Portanto, quero me conectar com eles. É o que gosto e minha fonte de rendimento. Quero dar às famílias que possuem animais de estimação uma memória única. Acho que os cães, por exemplo, têm um status próprio dentro das famílias. São os animais de estimação. Costumo fotografar os bichinhos com integrantes de sua família. Sigo o percurso de vida dessas pessoas. Já tinha uma cliente que foi fotografada desde quando era nascida.
Adoro pensar que, no futuro, muitas famílias possam se lembrar de forma positiva da experiência que tiveram no estúdio. Quero que o cliente saia do espaço com muita alegria.
O POVO: Que tipos de desafios mais afetam o seu trabalho?
Amanda: Durante muito tempo, só fotografei cães. Hoje, recebo gatos e estou procurando outros animais. Inclusive, já recebi quatro furões, além de cabras, gansos e um suricate. Quero ter mais desafios.
Mas, no início do meu trabalho, as grandes dificuldades enfrentadas estavam relacionadas a entender a maneira como cada animal funciona. É preciso, por exemplo, saber a forma de agir quando o bichinho entra no estúdio e quando sai. Entrar no mercado de forma pioneira também foi desafiador. Nos primeiros anos, o processo de educação do cliente e do público foi uma barreira. Era preciso mostrar como era feito o nosso trabalho. Acho que os colegas recém iniciados no mercado de trabalho têm uma caminhada um pouco mais fácil.
O POVO: Quais são os seus planos para o futuro? Deseja expandir o alcance de suas obras?
Amanda: Os meus planos para o futuro estão voltados à minha profissão. Minha formação foi feita no Brasil, mas também estudei em Portugal e na Espanha. Em 2023, darei o meu primeiro workshop presencial. Quero iniciar a minha caminhada na área das palestras e das masterclasses.