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ONG acusa milícia chavista por mortes durante protestos
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ONG acusa milícia chavista por mortes durante protestos

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Pessoas cercam velas acesas formando as palavras
Foto: YURI CORTEZ / AFP Pessoas cercam velas acesas formando as palavras "Liberdade e Paz" durante uma vigília convocada pela oposição exigindo a liberdade de presos políticos presos durante protesto após a contestada reeleição do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, 8 de agosto de 2024. Autoridades venezuelanas estão cometendo "violações generalizadas dos direitos humanos" contra manifestantes, espectadores, oponentes e críticos após a contestada reeleição do presidente Nicolás Maduro, disse a Human Rights Watch (HRW) em um relatório divulgado na quarta-feira.


A ONG de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou ontem o envolvimento de forças de segurança e milícias chavistas em diversos assassinatos cometidos durante a onda de protestos contra a eleição de Nicolás Maduro, em 28 de julho.

A HRW documentou 24 mortes. A partir de uma perícia independente, a ONG analisou 11 casos a partir de relatos, vídeos e fotos dos protestos. Pesquisadores, especialistas em armas e patologistas forenses observaram sombras, padrões climáticos para determinar os locais e horários exatos das mortes, os tipos de ferimentos e as armas utilizadas. Também foram analisadas certidões de óbito e realizadas entrevistas com 20 pessoas, incluindo testemunhas e fontes locais.

ENVOLVIMENTO

De acordo com a HRW, milicianos e militares, incluindo a Polícia Nacional Bolivariana (PNB) e a Guarda Nacional, espalham o terror de maneira metódica: primeiro, a polícia dispersa os manifestantes com gás lacrimogêneo e faz prisões. Depois, membros das milícias (chamadas de "coletivos") atiram contra os manifestantes por trás de barreiras formadas pela polícia.

"Os coletivos há anos intimidam e assediam os críticos e os denunciam ao governo, principalmente em áreas populares, onde o chavismo tem uma forte política de segurança pública", diz o relatório da HRW. "Os manifestantes fogem e se dispersam. Os homens disparam por mais de um minuto. As forças de segurança não tomam nenhuma medida para conter os civis ou prendê-los."

A maioria das mortes ocorreu entre 29 e 30 de julho, os dois dias após a eleição. Em um dos casos, Aníbal José Romero Salazar, de 24 anos, morreu durante um protesto em Carapita, bairro pobre de Caracas. Ele foi morto com um tiro na testa por policiais da Direção de Ações Estratégicas e Táticas (Daet) - o momento foi registrado em vídeos e fotos.

"A repressão que estamos vendo na Venezuela é brutal", afirmou Juanita Goebertus, diretora do Departamento das Américas da HRW. "A comunidade internacional deve tomar medidas urgentes para garantir que os venezuelanos possam protestar pacificamente e seu voto seja respeitado."

VIOLAÇÕES

A presença de milícias chavistas em protestos na Venezuela não chega a ser uma novidade. Em 2020, uma missão de especialistas da ONU afirmou, a partir de relatos de manifestantes, que os coletivos estavam envolvidos no controle de multidões ou em violações dos direitos humanos em coordenação com as Forças Armadas venezuelanas.

Maduro nega as acusações. No caso de Salazar, ele afirma que o jovem forjou a própria morte, exibindo como prova o vídeo de um homem, que fingia ser o jovem, "confessando" a informação. (Com agências internacionais)

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