Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a homenagem à profetisa Lurdinha, considerada até o ano passado a profeta mais velha em atividade. Ela morreu em 2025, aos 97 anos, após quase três décadas participando do evento. Em sua memória, foi plantada uma árvore no Jardim dos Profetas, espaço localizado na entrada do IFCE, onde cada profeta homenageado tem seu nome e história registrados.
Filho de Lurdinha, o servidor público Jorge Luiz acompanhou o plantio e falou sobre o legado deixado pela mãe. "Ela acompanhou essa trajetória todinha de Profeta da Chuva. Sempre vinha para esses encontros, e eu estava ao lado dela ouvindo as histórias", contou. "Ela deixou um grande legado para a família e para essa cultura. A gente tenta levar essa história à frente".
Além das previsões, o encontro também movimentou a feira de artesanato e produtos da agricultura familiar. A aposentada Nenê de Oliveira, 69, elogiou o ambiente. "É bom, né? A gente sabe sobre o inverno, sobre as chuvas, e ainda prova os produtos. Tem muita coisa boa", disse.
Entre os expositores estava o agricultor e apicultor Francisco Tadeu Barro Silveira, de 58 anos, que levou sementes crioulas e mel para o evento. "Eu trabalho com semente crioula pela cultura, pela resistência da semente, que aguenta seca", explicou.
Segundo ele, preservar esse tipo de semente é preservar a própria identidade do campo. "São sementes que meu avô plantava, que não passaram por laboratório. Quando eu planto, estou guardando a nossa raiz", revelou.