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Raelzin da resenha: trajetória na corrida e vivência na locução esportiva
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Raelzin da resenha: trajetória na corrida e vivência na locução esportiva

Locutor esportivo, Raelzin construiu carreira na corrida ao unir comunicação, experiência como atleta e atuação em grandes eventos
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Israel Bruno como locutor esportivo em corrida de rua organizada pela Track&Field (Foto: Andrezim Nogueira/BSAPhotos)
Foto: Andrezim Nogueira/BSAPhotos Israel Bruno como locutor esportivo em corrida de rua organizada pela Track&Field

Criador de conteúdo, corredor e locutor esportivo, Israel Bruno Vieira encontrou na corrida um espaço de afirmação pessoal e profissional. Conhecido como "Raelzin da resenha", e com mais de 28 mil seguidores nas redes sociais, tem trajetória no esporte construída a partir do esforço, da comunicação direta com os atletas e da vivência nas corridas de rua.

Carioca de nascimento e cearense de vivência, Israel começou a correr de forma regular em 2013, quando passou a integrar uma assessoria esportiva, e, ao longo dos anos, transformou a vivência como atleta em atuação profissional nas provas de rua. De praticante a narrador de grandes eventos, consolidou-se também como referência para iniciantes na modalidade, ao defender a corrida como prática acessível e ligada a um estilo de vida mais saudável. Em setembro de 2024, fez a transição definitiva de carreira e passou a viver exclusivamente da locução esportiva.

O POVO — Em que contexto a corrida passou a fazer parte da sua vida e como foi a transição para locutor esportivo?

Israel Bruno — A corrida sempre esteve presente. Desde criança eu fazia tudo correndo, mas meu primeiro esporte foi o caratê. Depois vieram a capoeira, o futsal e o futebol de campo. Foi na corrida, durante o período em que estudava para concursos públicos, em 2005, que realmente me encontrei. Era um esporte individual, só eu comigo mesmo.

Com o tempo, senti vontade de evoluir e procurei uma assessoria. Entrei na KM em 2013 e, desde então, sempre fui assessorado e nunca mais parei de correr regularmente.

O POVO — Em que momento você percebeu que seu trabalho ultrapassou a locução e passou a exercer também um papel de influência dentro do meio da corrida?

Israel Bruno — Foram dois momentos marcantes. Em 2019, decidi criar conteúdo para as redes sociais, principalmente Instagram e Facebook. Também criei um canal no YouTube para cobrir provas, mas não avancei por conta da complexidade da edição (de vídeos).

Por causa dos vídeos mais descontraídos e da facilidade de comunicação nas coberturas, surgiu a oportunidade de fazer um teste de voz. Um organizador me convidou para narrar um passeio ciclístico. Aceitei e deu muito certo. Depois, o mesmo organizador, Ricardo Ramalho, me convidou para narrar o circuito de corridas de praias, ainda em 2019. Foi ali que comecei oficialmente como locutor.

O segundo momento foi assumir o Circuito das Estações, que por muitos anos foi narrado por Paulinho Leme, minha grande referência. Mas o salto mesmo veio quando passei a narrar a Track & Field em Fortaleza. Antes, eles sempre traziam locutores de fora, principalmente de São Paulo. Em 2024, decidiram apostar em um talento local. Aquilo foi uma validação muito forte do meu trabalho. Hoje, rodo o Nordeste com a Track & Field e já passei por João Pessoa, Recife, Teresina e Mato Grosso.

O POVO — Ao longo da carreira, você também viveu a experiência de correr maratonas, como a do Rio de Janeiro. O que esse tipo de prova representa na sua trajetória pessoal e esportiva?

Israel Bruno — A Maratona do Rio é uma relação de amor e ódio. Amor porque sou carioca e correr na minha cidade, rever parentes, é sempre especial. Ódio porque, na primeira vez, em 2018, eu quebrei, como a gente diz quando não consegue executar a prova como planejado, mas cheguei.

Em 2025, voltei mais preparado, levei minha esposa e minha filha. Foi melhor do que em 2018, mas tive cãibras e terminei praticamente sendo rebocado. Se não fosse a ajuda de um corredor chamado Diniz, talvez não tivesse concluído. Levo disso um aprendizado pessoal: mesmo preparado, tudo pode dar errado. No esporte, a maratona é sempre uma caixinha de surpresas. Ainda espero chegar bem nessa distância.

O POVO — Quais foram os principais desafios enfrentados para conquistar espaço e reconhecimento no universo da corrida?

Israel Bruno — Existe um limitador muito grande chamado classe social. Por ser um jovem periférico e sem contatos influentes, precisei desbravar tudo sozinho e mostrar talento. Muitos conteúdos não eram levados a sério por terem humor, e foi justamente daí que nasceu a Resenha da Corrida: levar alegria e diversão para as corridas de rua.

Na locução, o reconhecimento veio de forma gradual. A cada evento entregue, o retorno era quase imediato, seja por parte das empresas contratantes, seja pelas mensagens nas redes sociais. Hoje, o maior desafio é mostrar que no Nordeste também existem talentos capazes de chegar longe.

O POVO  — Que orientação seria importante para quem está dando os primeiros passos na corrida, seja como atleta ou dentro do mercado esportivo?

Israel Bruno — O mercado Wellness (bem-estar) é a nova tendência mundial. O mundo descobriu o "novo luxo", onde fotos com carros ou roupas de grife já não interessam tanto, engajam menos. As marcas perceberam que o novo padrão é você mostrar o que está fazendo, não apenas o que tem. Por isso a corrida conseguiu envolver todos os públicos e está no hype até hoje. Para os iniciantes e aventureiros no esporte, deixo o recado: vai doer!

Não é fácil acordar cedo, seguir um plano alimentar, fortalecer-se na academia, dormir cedo e ainda correr. No início dói, mas depois fica bom, acredite! Essa é a nova tendência: dormir cedo e acordar cedo para correr.

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