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PF colhe depoimentos no caso Master; diretor do banco ficou em silêncio
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PF colhe depoimentos no caso Master; diretor do banco ficou em silêncio

Alberto Felix de Oliveira, superintendente executivo de Tesouraria do Master, optou por permanecer em silêncio
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DEPOIMENTOS foram colhidos na sede do STF (Foto: Wallace Martins/STF)
Foto: Wallace Martins/STF DEPOIMENTOS foram colhidos na sede do STF

A Polícia Federal iniciou ontem, 26, uma nova rodada de depoimentos no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da investigação que apura a compra de ativos do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). As oitivas ocorrem por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso.

O primeiro a prestar depoimento nesta segunda-feira foi Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB. Ele respondeu às perguntas dos investigadores, mas o conteúdo do depoimento não foi divulgado em razão do sigilo processual.

Na sequência, estavam previstos os depoimentos de empresários ligados ao conglomerado do Banco Master e de executivos da instituição. Os advogados de defesa de André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto, sócios da Tirreno, alegaram que não tiveram acesso a todo o material da investigação e solicitaram que uma nova data seja marcada para os depoimentos. Ambos ficaram em silêncio durante o interrogatório da PF, feito por videoconfrência. 

Alberto Felix de Oliveira, superintendente executivo de Tesouraria do Master, optou por permanecer em silêncio, exercendo o direito constitucional de não produzir prova contra si. A defesa de Felix solicitou a íntegra da investigação e também uma nova data para ele ser ouvido. 

Conforme apuração do portal Uol, ao final das pergunta da PF, Felix teria afirmado que nunca foi diretor do Banco Master. Ele pontuou que sua assinatura consta em documentos devido a uma  procuração da diretoria do banco. Ainda de acordo com apuração do portal, ele teria relatado que acabava assinando por procuração quando não havia dois diretores para assinar os documentos.

A agenda de depoimentos prossegue hoje, 27, com a oitiva de mais quatro investigados, incluindo dirigentes do BRB e do Banco Master, além de sócios da instituição financeira, alguns deles por videoconferência. Serão interpelados Robério Cesar Bonfim Mangueira (superintendente de Operações Financeiras do BRB) e Luiz Antonio Bull (diretor de Compliance do Banco Master). Eles vão falar presencialmente no Supremo Tribunal Federal. Angelo Antonio Ribeiro da Silva, um dos sócios do Master, e o ex-sócio Augusto Ferreira Lima serão ouvidos por videoconferência.

Cronograma alterado

Inicialmente, os investigadores pretendiam distribuir os depoimentos ao longo da última semana de janeiro e da primeira de fevereiro. O cronograma, porém, foi alterado após a ordem do ministro Dias Toffoli para concentrar as oitivas em dois dias consecutivos no tribunal.

Entre os investigados estão diretores do Banco Master e do BRB, além de empresários e ex-executivos ligados às instituições financeiras. A expectativa da PF é aprofundar as apurações sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas de crédito ao BRB e sobre uma estrutura paralela de fundos e ativos inflados que teria elevado artificialmente o patrimônio do Master em operações com a gestora Reag DTVM, somando outros R$ 11,5 bilhões, segundo o Banco Central.

A condução do inquérito tem sido marcada por embates entre a Polícia Federal e o relator. Além de definir o formato e o local das oitivas, Toffoli determinou que os celulares apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero permanecessem acautelados exclusivamente na Procuradoria-Geral da República (PGR), o que restringiu o acesso direto da PF aos aparelhos.

Em decisão anterior, o ministro havia determinado que todos os itens apreendidos fossem encaminhados ao STF. O recuo para permitir o acesso da PGR ocorreu após pedidos de reconsideração da Polícia Federal e da Procuradoria, que alertaram para o risco de perda de dados caso a extração não fosse feita rapidamente, em razão das características técnicas dos aparelhos.

Nesta segunda, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou que o inquérito tramita em "absoluta regularidade" sob a relatoria de Toffoli. Decisões recentes do ministro, no entanto, foram avaliadas por agentes federais como interferência indevida nas atribuições da corporação e na condução da investigação.

Segundo Andrei, a expectativa é que os depoimentos tragam informações relevantes para a instrução do processo. "Os delegados devem fazer perguntas", afirmou.

A primeira fase da Operação Compliance Zero levou à prisão de Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. Ele é acusado de liderar o esquema que teria vendido créditos fictícios ao BRB, mas acabou solto.

Após a liquidação do Banco Master, o Banco Central também decretou a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários - nova denominação da Reag Trust - no último dia 15, e do Will Bank na última quarta-feira, 21.

Nova representação contra Toffoli

A bancada do Partido Novo protocolou nesta segunda-feira, 26, uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) e uma Comunicação de Fatos à Polícia Federal (PF) contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os parlamentares apontam uma interferência atípica do magistrado na condução de investigações envolvendo o Banco Master.

As representações foram assinadas pelo deputado Marcel van Hattem (RS), líder do partido na Câmara, pela deputada Adriana Ventura (SP) e pelo senador Eduardo Girão (CE). Nos documentos, o grupo pede a apuração de possíveis irregularidades relacionadas à atuação do ministro no caso.

Com as duas representações protocoladas nesta segunda-feira, Toffoli passou a ser alvo de oito representações relacionadas ao caso. Na semana passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido para a retirada do ministro da relatoria do caso Master também assinada por parlamentares da bancada do Novo.

Procurado pela reportagem, o ministro Dias Toffoli não se manifestou até o fechamento desta edição. (Com agências Estado e Brasil)

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