Moradores da comunidade do entorno do Aeroporto Internacional de Fortaleza - Pinto Martins, sofreram com alagamentos nas casas e ruas em meio a primeira grande chuva de 2026. É a área do entorno onde existia a floresta, contendo Mata Atlântica, de mais cerca de 50 hectares, desmatada no ano passado.
"A obrazinha aí do aeroporto, quem se lasca é os moradores. Isso aqui nunca aconteceu na nossa rua, nunca. Olha aí o absurdo. Devastaram a floresta, acabaram com a casa dos animais e agora inundando tudo nosso aqui", diz uma moradora da comunidade Vila Gomes, do bairro Aerolândia, em vídeos publicado nas redes sociais.
Ao mostrar correntes de água percorrendo pelas ruas e o interior de uma casa alagada, a moradora atribui a inundação ao desmate recente afirmando que em 50 anos, nunca houve uma situação assim na comunidade.
"50 anos de Vila Gomes e isso aqui nunca tinha acontecido na nossa rua. Tudo resultado de uma obra inconsequente. E agora no momento, os engenheiros, operários estão todos em cima do morro. Quem é que vai pagar o prejuízo do cidadão?", fala moradora mostrando ruas e casas alagadas do lado de onde era a floresta.
O vereador Gabriel Aguiar (Psol) se manifestou afirmando que as consequências do desmatamento de dezenas de hectares de mata estão ocorrendo. Ele foi um dos principais críticos à obra e lutou pela inclusão de mais áreas verdes no Plano Diretor de Fortaleza.
"Está ocorrendo o que eu sempre falei que ocorreria. A água que antes era uma benção pra Mata Atlântica ataca violentamente a comunidade destruindo cama, armário, guarda-roupa, eletrodomésticos e a vida de dezenas de famílias junto com suas casas estando debaixo da água", declarou.
Prosseguiu: "Antes, quando chovia na área, a água era retida pelas centenas de árvores, descia pelas raízes delas e penetrava no solo extremamente permeável da floresta. Agora, o solo compactado apenas de areia, a água corre violentamente pela superfície, diretamente para as casa das famílias da comunidade do entorno".
O biólogo Thieres Pinto, consultor da Sertões Consultoria Ambiental e especialista em conservação de biodversidade, explicou que já era esperado que a comunidade do entorno sofresse com inundações, algo alertado por cientistas da área após a supressão vegetal, obra da empresa Fraport para construir galpões.