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Milhares de pessoas marcham em Minneapolis contra operações anti-imigração nos EUA
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Milhares de pessoas marcham em Minneapolis contra operações anti-imigração nos EUA

A política de operações e deportações é um dos principais pontos da agenda do presidente republicano Donald Trump.
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Pessoas participam de um protesto
Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP Pessoas participam de um protesto "Paralisação Nacional" contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) em Minneapolis, Minnesota, em 30 de janeiro de 2026. O chefe da fronteira de Donald Trump disse em 29 de janeiro de 2026 que alguns agentes federais poderiam ser retirados de Minneapolis, a cidade do norte dos EUA que se tornou o ponto crítico da repressão à imigração promovida pelo presidente. O governo Trump, enfrentando uma reação pública negativa devido às mortes a tiros de dois americanos por agentes federais em Minneapolis, também flexibilizou as operações de imigração no estado do Maine, no nordeste do país.

Milhares de pessoas saíram em passeata nesta sexta-feira (30) em Minneapolis, para protestar contra as operações da polícia migratória americana, após semanas de tensão, que resultaram na morte a tiros de dois ativistas.

O dia de ação, batizado de "apagão nacional", foi convocado por organizações de defesa dos imigrantes, após a comoção causada pela morte de Renee Good e Alex Pretti. Entre os participantes estava o astro do rock Bruce Springsteen, que cantou uma música em memória dos ativistas assassinados.

O protesto foi apoiado pelos democratas, que controlam o estado de Minnesota e Minneapolis, cidade-santuário que se nega a cooperar com as agências que lutam contra a imigração ilegal.

A política de operações e deportações é um dos principais pontos da agenda do presidente republicano Donald Trump.


- Acusações contra jornalista -

Trump anunciou nesta semana uma "desescalada" das operações, após a comoção causada por essas duas mortes, investigadas pelo governo federal. Ele tirou de Minneapolis o comandante da Patrulha Fronteiriça, que liderava as operações, e enviou em seu lugar Tom Homan, seu czar da fronteira.

Após a divulgação de um novo vídeo de protestos de Alex Pretti, no entanto, Trump voltou a adotar uma postura firme. A procuradora-geral do país, Pam Bondi, criticada por se referir inicialmente aos dois ativistas como "terroristas", anunciou acusações contra o jornalista Don Lemon, ex-apresentador da rede de TV CNN, que invadiu há duas semanas, com outros repórteres e ativistas, uma igreja de Saint Paul, cidade vizinha a Minneapolis.

Transmitido ao vivo por Lemon, o protesto ocorreu porque os ativistas acusavam o pastor de trabalhar para o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O advogado de Lemon confirmou que ele foi preso em Los Angeles e acrescentou que seu trabalho na cobertura do protesto "não foi diferente do que sempre fez".

Segundo depoimentos colhidos na investigação inicial, Lemon teria entrado com os manifestantes e interrogado ao vivo fiéis, assustados com a invasão. O jornalista é acusado de conspiração para privar de direitos e de interferir nos direitos da Primeira Emenda [que protege a liberdade de expressão, incluindo a religião], informou à AFP um porta-voz do Departamento de Segurança Interna.

O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) condenou o que chamou de "ataque flagrante" à imprensa. O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, pediu a libertação imediata do jornalista.


- 'Agitador' -

Trump usou a plataforma Truth Social para descrever o enfermeiro Pretti, 37, morto a tiros por agentes migratórios no último dia 25, como "um agitador e, talvez, insurgente".

"O valor de Alex Pretti despencou com o vídeo divulgado recentemente, no qual ele aparece gritando e cuspindo no rosto de um agente do ICE muito calmo e controlado", escreveu o presidente.

Imagens compartilhadas on-line nesta semana supostamente mostram Pretti em um confronto com agentes federais 11 dias antes dele ser morto a tiros.

A AFP não conseguiu verificar imediatamente as imagens, que mostram um homem, supostamente Pretti, chutando e quebrando a lanterna traseira do carro dos agentes antes que eles saíssem e o imobilizassem no chão.

Durante o confronto com os agentes, é possível ver o que parece ser uma arma na parte de trás da cintura do manifestante. O vice-procurador-geral, Todd Blanche, disse hoje que o Departamento de Justiça abriu uma investigação em matéria de direitos civis sobre a morte de Pretti.

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