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Crise no Equador

No décimo dia de protestos contra o governo de Lenín Moreno, indígenas se juntam aos manifestantes na Capital prometendo radicalização do conflito
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EM DEZ DIAS de protestos, já foram registrados cinco mortes e quase 2 mil feridos e presos, segundo a Defensoria Pública. Após o fracasso de uma tentativa de diálogo, a capital equatoriana viveu uma retomada da violência (Foto: Martin BERNETTI / AFP)
Foto: Martin BERNETTI / AFP EM DEZ DIAS de protestos, já foram registrados cinco mortes e quase 2 mil feridos e presos, segundo a Defensoria Pública. Após o fracasso de uma tentativa de diálogo, a capital equatoriana viveu uma retomada da violência

Os indígenas no Equador e a polícia entraram novamente em conflito ontem, em Quito, no 10º dia de protestos contra os ajustes econômicos acordados entre o governo de Lenín Moreno e o FMI, após a convocação das lideranças para intensificar as ações na ausência de diálogo. Os distúrbios eclodiram nos arredores da sede do Legislativo, que havia sido brevemente ocupado pelos indígenas na última quarta-feira, 9.

Manifestantes participam de um protesto contra o aumento do preço do combustível ordenado pelo governo para garantir um empréstimo do FMI, em Quito, em 11 de outubro de 2019. - A polícia de choque entrou em choque com manifestantes indígenas na capital do Equador na sexta-feira, com protestos mortais contra os aumentos no preço do combustível. em um décimo dia. Grupos indígenas encabeçaram as demandas de que o presidente Lenin Moreno restabelecesse os subsídios aos combustíveis que foram cortados na semana passada depois que seu governo concordou com um empréstimo de US $ 4,2 bilhões ao FMI. (Foto de RODRIGO BUENDIA / AFP)
Manifestantes participam de um protesto contra o aumento do preço do combustível ordenado pelo governo para garantir um empréstimo do FMI, em Quito, em 11 de outubro de 2019. - A polícia de choque entrou em choque com manifestantes indígenas na capital do Equador na sexta-feira, com protestos mortais contra os aumentos no preço do combustível. em um décimo dia. Grupos indígenas encabeçaram as demandas de que o presidente Lenin Moreno restabelecesse os subsídios aos combustíveis que foram cortados na semana passada depois que seu governo concordou com um empréstimo de US $ 4,2 bilhões ao FMI. (Foto de RODRIGO BUENDIA / AFP)

 

Os manifestantes jogaram pedras e coquetéis molotov em policiais, que tentaram dispersá-los com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Veículos de choque avançaram em direção a homens encapuzados. Os indígenas foram interceptados próximo ao estádio de Ágora, onde está concentrada a Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), umas das lideranças do protesto.

Esses choques coincidiram com a chegada de indígenas da Amazônia equatoriana a Quito. Eles se juntaram aos indígenas do centro andino que entraram na capital na segunda-feira, desafiando o estado de exceção imposto por Lenín Moreno no início do protesto. Por causa dos protestos, Moreno deixou o controle da ordem pública para os militares e transferiu a sede do governo de Quito para o porto de Guayaquil.

Na última quinta-feira, a liderança indígena afastou qualquer tentativa de diálogo buscada pelo governo, a pedido da ONU e da Igreja Católica, em busca de uma saída para crise desencadeada pelo fim dos subsídios aos combustíveis e o consequente aumento dos preços em até a 123%. Abalada pela morte de um líder indígena nas manifestações, a Conaie prometeu "radicalizar" suas ações por meio de bloqueios de estradas e prédios públicos.

Moreno enfrenta sua maior crise devido aos empréstimos milionários com o FMI para aliviar o déficit fiscal que culpa o desperdício, o endividamento e a corrupção do governo de seu antecessor Rafael Correa. Os povos indígenas, que representam 25% dos 17,3 milhões de equatorianos, são o setor mais punido pela pobreza e trabalham principalmente no campo. Com a liberação dos preços dos combustíveis, eles precisam pagar mais para transportar seus produtos. (AFP)

Confira imagens da sexta-feira de protestos em Quito

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