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Afegãos morrem em fuga massiva do Talibã; Biden diz não se arrepender de retirada

| Cabul | Presidente dos EUA defende saída das tropas e culpa presidente afegão por triunfo de grupo extremista
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AFEGÃOS se amontoaram em aviões tentando escapar. Alguns caíram para a morte após a decolagem
 (Foto: WAKIL KOHSAR / AFP)
Foto: WAKIL KOHSAR / AFP AFEGÃOS se amontoaram em aviões tentando escapar. Alguns caíram para a morte após a decolagem

Milhares de pessoas desesperadas tentaram fugir ontem do Afeganistão tomado pelo Talibã. Cenas caóticas no aeroporto de Cabul mostraram afegãos agarrados a aeronaves em movimento e alguns caindo para a morte de um avião após a decolagem.

Soldados americanos, que controlavam o embarque, dispararam contra a multidão. Pelo menos sete morreram. Pressionado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, defendeu sua decisão de retirar as tropas do país.

"Mantenho minha decisão", afirmou. Biden apontou o dedo para todos os lados. Creditou a Donald Trump o fato de o Talibã estar mais forte e culpou o governo do presidente afegão, Ashraf Ghani, por abandonar o país.

"Os líderes fugiram e o Exército entrou em colapso sem luta. Depois de 20 anos, aprendi da maneira mais difícil que nunca é um bom momento para retirar as forças americanas. É por isso que ainda estamos lá."

Ontem, no primeiro dia de comando do Talibã, a mudança no Afeganistão estava nos detalhes. Na TV, noticiários e novelas da Índia e da Turquia deram lugar à programação religiosa sem propagandas.

A maior parte do comércio não funcionou. Bancos e escritórios do governo ficaram vazios. Embora o Talibã tenha incentivado as pessoas a voltar à vida normal, apenas algumas padarias, mercearias e restaurantes abriram as portas.

Nas ruas de Cabul, combatentes do Talibã cruzavam em picapes tremulando a bandeira branca do grupo. Alguns montaram postos de controle, outros posaram para fotos nos pontos mais conhecidos da capital.

Milicianos fizeram um blitz para coletar armas de seguranças particulares e muitos comemoraram a vitória diante do prédio abandonado da embaixada dos EUA. Alguns líderes - ansiosos para projetar a imagem de um governo funcional - visitaram hospitais e a companhia nacional de energia elétrica.

O medo da maioria dos afegãos é o Talibã enviar o Afeganistão de volta no tempo. Quando governou o país, de 1996 a 2001, não havia espaço para a diversão.

A dança e a música eram consideradas criações do demônio. Aparelhos de som e de TV foram colocados na clandestinidade. Não era permitido soltar pipa nem jogar xadrez. Bonecas, fotografias e animais de pelúcia também eram proibidos. A única forma de lazer era assistir às execuções públicas em estádios de futebol.

Para muitos, a invasão americana foi um alento, mas a trégua durou menos de 20 anos e os sonhos acabaram bem mais cedo que os EUA esperavam. Até semana passada, o Departamento de Estado americano rejeitava a ideia de fechar a embaixada em Cabul e defendia que a tomada da capital pelo Taleban poderia levar meses. Ontem, Biden admitiu que a situação "se deteriorou mais rapidamente do que o previsto".

"Não fomos ao Afeganistão para formar uma democracia", disse o presidente americano. "As tropas americanas não podem e não devem lutar em uma guerra e morrer em uma guerra que as forças afegãs não estão dispostas a lutar por si mesmas. Gastamos mais de US$ 1 trilhão. Treinamos e equipamos uma força militar afegã maior do que os militares de muitos de nossos aliados da Otan. Demos a eles todas as ferramentas de que eles poderiam precisar", afirmou o presidente.

A decisão de retirar as tropas do Afeganistão é um dos raros momentos de convergência entre democratas e republicanos - ela foi anunciada por Trump, no ano passado. Em abril, o ex-presidente disse que a saída dos solados americanos era "uma coisa positiva e maravilhosa". Ao defender a medida ontem, Biden recorreu ao lado sentimental dos americanos.

"Quantas gerações mais de filhas e filhos dos EUA vocês querem que eu envie para a guerra civil afegã, quando as próprias tropas afegãs não lutam? Quantas filas intermináveis de lápides no Cemitério Nacional de Arlington? Não vou repetir os erros que cometemos no passado." (das agências)

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