A líder opositora venezuelana María Corina Machado entregou nesta quinta-feira, 15, sua medalha do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ambicionava ganhar a distinção no ano passado, e reiterou que conta com ele "para a liberdade da Venezuela".
Machado foi recebida com discrição na Casa Branca pelo presidente republicano, que mudou o rumo da Venezuela com a captura e a derrubada de Nicolás Maduro, mas que agora aposta claramente nos herdeiros do chavismo.
"Apresentei ao presidente dos Estados Unidos a medalha do Prêmio Nobel da Paz", declarou Machado à imprensa em frente ao Capitólio dos Estados Unidos após sua reunião com Trump. "Contamos com o presidente Trump para a liberdade da Venezuela", acrescentou.
Inicialmente, o presidente republicano não publicou nenhuma foto ou fez comentários sobre o momento, o que chamou atenção pela atuação de Trump nas redes sociais. No entanto, após horas depois exaltou o "gesto maravilhoso".
"Hoje tive a grande honra de conhecer María Corina Machado. É uma mulher extraordinária que passou por muitas coisas" declarou Trump, através de sua plataforma Truth Social.
"María me entregou seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que fiz. Um gesto maravilhoso de respeito mútuo", acrescentou.
O que deveria ser uma entrevista coletiva às portas do Congresso transformou-se em um comício descontrolado, com dezenas de venezuelanos apoiadores gritando e aplaudindo a opositora. A polícia e os seguranças a retiraram do local e a colocaram em um carro, sem que a coletiva fosse realizada.
O presidente Trump esperava, segundo sua porta-voz, Karoline Leavitt. Trump "estava impaciente" para conhecer Machado e esperava manter "uma boa conversa produtiva", disse a porta-voz da Casa Branca.
O Nobel Peace Center ressaltou nesta quinta que os laureados podem dispor como quiserem da medalha dourada associada à distinção. Mas acrescentou: "Uma medalha pode mudar de mãos, mas não o título de laureado do Prêmio Nobel da Paz".
Após a operação contra Maduro, Trump logo jogou um balde de água fria ao declarar que Machado era uma "pessoa muito simpática", mas que não a via como líder do país.
Com a substituta de Maduro, Delcy Rodríguez, ele manteve, em contrapartida, na quarta-feira, uma "longa" conversa telefônica, sobre petróleo, minerais, comércio ou segurança, revelou o presidente.
Delcy é uma pessoa "formidável", afirmou Trump. A presidenta interina venezuelana apresentou ontem um projeto de reforma petrolífera para incentivar o investimento no setor vital do país, gravemente deteriorado.
Ontem, uma autoridade sob condição de anonimato confirmou uma primeira venda de petróleo venezuelano apreendido, no valor de 500 milhões de dólares (R$ 2,7 bilhões). Esse dinheiro passará para contas controladas diretamente pelo Departamento do Tesouro.