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Trump lança "Conselho de Paz" e projeta que grupo deve atuar além de Gaza
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Trump lança "Conselho de Paz" e projeta que grupo deve atuar além de Gaza

|Cenário|Os estatutos do grupo não limitam atuação a Gaza e geraram temores de que Trump rivalize com a ONU
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TRUMP no lançamento de seu
Foto: MANDEL NGAN / AFP TRUMP no lançamento de seu "Conselho de Paz". Ao seu lado, presidentes aliados a ele que escolheram integrar o grupo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inaugurou nesta quinta-feira, 22, no Fórum de Davos, o seu "Conselho de Paz". Na presença de cerca de vinte líderes, Trump se projetou como um pacificador global, apesar do ceticismo generalizado que desperta o plano com o qual busca reescrever a ordem mundial.

Washington apresentou seus planos para uma "nova Gaza" que, em três anos, poderia tornar o território palestino devastado em um luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar. "Olhe este local à beira-mar. Olhe esta bela propriedade. O que isso poderia significar para tanta gente", afirmou Trump durante o Fórum Econômico Mundial de Davos.

Após um discurso no qual analisou as situações em Gaza, Irã, Ucrânia e Venezuela, entre outros pontos críticos globais, o mandatário republicano assinou o documento que cria o Conselho de Paz, juntamente com líderes ou chanceleres de 19 países, incluindo os presidentes de Argentina, Javier Milei, e Paraguai, Santiago Peña.

"Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas", disse. Ele, no entanto, disse não ter conversado com a organização.

Uma participação permanente no órgão custará US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões). E Trump convidou muitos outros líderes a participar, como Putin, Zelensky, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o papa Leão XIV.

O Conselho, que segundo o magnata trabalhará "em colaboração" com as Nações Unidas, busca reforçar sua imagem de pacificador, um dia depois de retirar suas ameaças contra a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês que considera crucial para a segurança dos Estados Unidos.

A criação do Conselho responde à frustração do presidente americano de não ter vencido o Prêmio Nobel da Paz, apesar de afirmar que encerrou oito conflitos. A premiação foi atribuída à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que recentemente entregou sua medalha a Trump.

Em seu discurso, o mandatário americano reiterou que mantém uma "ótima relação" com o governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e declarou que o ataque de 3 de janeiro, no qual as forças americanas capturaram Nicolás Maduro em Caracas sob acusações de tráfico de drogas, foi "assombroso".

Embora inicialmente o organismo tenha sido criado para supervisionar a reconstrução de Gaza após a guerra entre Hamas e Israel, seus estatutos não limitam sua função ao território palestino e geraram temores de que Trump queira que rivalize com a ONU.

O primeiro dia de Trump em Davos, na quarta-feira, foi marcado por sua mudança de postura em relação à Groenlândia, quando anunciou que não estabelecerá tarifas à Europa e descartou uma ação militar para tomar a ilha da Dinamarca.

O mandatário explicou a mudança de posição após alcançar uma "estrutura de um futuro acordo" depois de se reunir com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Os diálogos prosseguirão para "garantir que os chineses e os russos não tenham acesso à economia da Groenlândia", ou de um ponto de vista militar, afirmou Rutte ontem.

O mandatário americano também se reuniu, ontem, com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky. "A guerra deve terminar", disse Trump aos jornalistas que lhe perguntaram que mensagem queria transmitir ao seu homólogo russo, Vladimir Putin.

O chefe de Estado ucraniano anunciou que os documentos do acordo para deter as hostilidades "estão quase, quase prontos".(AFP)

 

Premier da Groenlândia diz não conhecer conteúdo do acordo

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta quinta-feira, 22, desconhecer o conteúdo do acordo concluído na véspera por Donald Trump e pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, sobre o futuro desta ilha ártica cobiçada pelo presidente dos Estados Unidos.

"Não sei exatamente o que contém o acordo sobre o meu país", lamentou em entrevista coletiva em Nuuk, a capital deste território autônomo da Dinamarca, um país membro da Otan. 

Depois de ameaçar aliados europeus que se opunham às suas ambições na Groenlândia, Trump mudou o tom na quarta-feira durante sua participação no Fórum de Davos.

O presidente americano descartou o uso da força para tomar a ilha e, após sua reunião com Rutte, recuou da ameaça de impor tarifas aos aliados europeus. Segundo o dirigente republicano, a reunião com o chefe da Otan serviu para pactuar "o marco de um futuro acordo" sobre esta ilha rica em minerais.

"Ninguém além da Groenlândia e da Dinamarca está autorizado a firmar acordos sobre a ilha e o Reino da Dinamarca", rebateu Nielsen. "A soberania e a integridade territorial da ilha "são nossa linha vermelha", sublinhou.

Nielsen também assinalou que, se sua população tiver de escolher entre permanecer na Dinamarca ou se unir aos Estados Unidos, "escolhemos o Reino da Dinamarca, escolhemos a União Europeia, escolhemos a Otan".

Poucos detalhes sobre o acordo são conhecidos até o momento, mas Trump garantiu a jornalistas que os Estados Unidos obtiveram "tudo o que buscavam" e "para sempre".

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, explicou que o trabalho continuaria em "dois eixos": um centrado na Otan e outro nas relações da Dinamarca e da Groenlândia com os Estados Unidos.

Sobre a aliança militar, Frederiksen afirmou que todos os seus integrantes concordam "com a necessidade de uma presença permanente da Otan na região ártica".

Sobre o segundo eixo, a dirigente disse que não queria "entrar nos detalhes das discussões". Segundo uma fonte próxima às negociações entre Trump e Rutte, Estados Unidos e Dinamarca renegociarão seu acordo de defesa de 1951 sobre a Groenlândia. (AFP)

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