Opinião

Editorial. A prioridade da educação

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Educação é o maior seguro que um país pode ter para o seu futuro pois, ao lado dos recursos naturais, é isso que faz a diferença no concerto das nações. Se o Brasil é privilegiado pela sua natureza, cuja composição independe da mão humana, o mesmo não se pode dizer da educação, pois seu resultado atrela-se exclusivamente à ação dos homens; ou melhor, da forma como o País e seus governantes encaram esse desafio. Em um universo digital, com a ciência e a tecnologia presentes em todos os aspectos da vida humana, a inteligência é a única saída para levar a um salto civilizatório que eleve o Brasil ao nível de uma nação desenvolvida, em condições de oferecer melhores condições de vida ao seu povo.


Por isso é preocupante ler esta manchete: “País só cumpriu uma meta do plano de educação”, conforme reportagem publicada na edição de ontem deste jornal. O Plano Nacional de Educação (PNE), iniciado em 2010, tem 20 metas para serem cumpridas até 2024. No entanto, o Governo federal, estados e municípios deixaram de cumprir a maioria dos prazos intermediários do plano.


Além desse aspecto geral, existem problemas dentro da adversidade maior, como por exemplo, as diferenças regionais (os resultados do Sudeste são melhores do que nas regiões Norte e Nordeste) e a questão racial, com diferenças na porcentagem de estudantes que frequentam e terminam a educação básica, na faixa de 15 a 17 anos, com desvantagem para os alunos negros.


Nesse quadro negativo, o Ceará apresenta-se como exceção e “tem muito a ensinar ao Brasil”, afirma Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). O Estado avançou bastante na educação em tempo integral e em programas de colaboração com os municípios. Porém, apesar de apresentar os melhores índices do Nordeste, a universalização da pré-escola está estagnada, e é preciso avançar mais no ensino médio.


Ao ser questionado sobre o assunto, o Ministério da Educação informou, em nota, que “a crise econômica vem gerando dificuldade para o cumprimento de diversas metas, especialmente para os entes da federação (estados e municípios), que experimentam situação de maior fragilidade econômica e financeira”. O problema do argumento que culpa as dificuldades conjunturais pela redução de verbas da educação, é que, com esses cortes, o Brasil caminha em direção a uma crise sem saída, pois não haverá uma população preparada para enfrentá-la.


Por isso é preciso manter a educação no alto da pauta de prioridades.

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